Ex-presidente da Assembleia Legislativa é indiciado por desvio na merenda

Procurador-geral de Justiça acusa Fernando Capez (PSDB) de ter recebido R$ 1,1 mi em propina e o denuncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Por Metro Jornal São Paulo com Band
Capez em almoço promovido pelo Lide em 2016 - Renato S. Cerqueira/Futura Press
Ex-presidente da Assembleia Legislativa é indiciado por desvio na merenda

O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-presidente da Assembleia Legislativa Fernando Capez (PSDB) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por participação na chamada “máfia da merenda”. O deputado nega a acusação.

O esquema foi investigado pela operação Alba Branca, deflagrada em 2016 e que revelou desvios em contratos com a Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar) para fornecimento do suco de laranja oferecido na merenda das escolas estaduais.

Segundo o procurador-geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Gianpaolo Smanio, Capez recebeu R$ 1,1 milhão (equivalente a 10% do valor dos contratos) em propina e utilizou o dinheiro para pagar dívidas de campanha.

“Tivemos a comprovação de que existia vínculo entre os membros da Coaf e o deputado voltado para que as licitações pudessem ser feitas e haver vantagem para todos”, afirmou Smanio em entrevista ontem à rádio Bandeirantes, em que citou entre as provas uma delação premiada e documentos e dinheiro apreendidos.

A denúncia apontou que Capez discutiu as fraudes nos contratos com seus assessores e a Coaf em encontros no seu escritório político na capital e em seu gabinete na Assembleia.

O procurador-geral também pediu o afastamento imediato de Capez do cargo (negado ontem pela Justiça) e o bloqueio de bens no valor de R$ 2,2 milhões (o dobro da propina) como forma de reparar os desvios.

Como o deputado tem foro privilegiado, a denúncia será analisada pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça, que irá decidir se recebe a acusação e instaura a ação penal. Se isso ocorrer, Capez se tornará réu no caso da “máfia da merenda”.

Em entrevista à TV Bandeirantes, Capez classificou a denúncia como “absurda” e “rídicula” e disse que o caso ganhou “estardalhaço por razão política”. “Estou indignado, o que é mais do que negar a acusação”, afirmou.

Mais denunciados

Além de Capez, foram denunciados dois de seus ex-assessores, dois representantes da Coaf, dois lobistas e dois ex-funcionários da secretaria da Educação.

Em nota, a pasta afirmou que é “vítima e tomou todas as medidas cabíveis no âmbito administrativo e colaborou com a Justiça”.

A “máfia da merenda” também foi alvo de CPI na Assembleia, que não incluiu Capez entre as 20 pessoas responsabilizadas pelas fraudes.  

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