Lobby impede chip que reduziria furto de carros

O lobby das montadoras impede há dez anos a vigência de lei regulamentada em julho de 2007 pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que obriga a instalação de chip (de localização e rastreamento) nos carros vendidos no Brasil, como forma eficiente de acabar com o espantoso número de veículos furtados ou roubados todos os anos. As razões não são as mais nobres: há um “mercado de reposição” de mais de meio milhão de veículos roubados por ano.

Mercado lucrativo
Somente em 2016 foram roubados e furtados no Brasil 557.000 veículos, 47.000 a mais que os 510.000 surrupiados em 2015.

Lobby prevalece
Pela regulamentação, o chip deveria ser obrigatório a partir de agosto de 2009, mas o lobby da indústria sempre se impôs aos governos.

Vencendo pelo cansaço
Após vários adiamentos, o Contran marcou para janeiro de 2016 o início da obrigatoriedade do chip. Novamente o lobby foi mais forte.

Alegações risíveis
Após alegar que chip de R$ 10 encarece o carro, a indústria diz agora que “invade privacidade”. Tanto quanto chip de celular, faltou dizer.

Jetons já renderam R$ 16,4 milhões a autoridades
Servidores do alto escalão e outros privilegiados já receberam este ano R$ 16,4 milhões na forma de honorários (jetons) pela participação em conselhos de administração de estatais, fundações, bancos públicos. A farra é ainda maior porque jetons não contam para o teto constitucional. O ministro Dyogo Oliveira (Planejamento) também tem seu jeton de R$ 18 mil mensais pagos pelo Senac. Embolsa R$ 41 mil líquidos.

Maior de todos
O conselho do BNDES, banco investigado em CPI no Congresso, paga mais de R$ 40 mil de jeton para seus integrantes.

Muito para poucos
O governo federal possui mais de 635 mil servidores, mas os R$ 16,4 milhões pagos em jetons foram distribuídos a cerca de 400.

Conselheiro em cana
Preso na Lava Jato, o ex-presidente do BB e da Petrobras nos governos do PT Aldemir Bendine ganhava jetons da petroleira e do BNDES.

Loucura, loucura
Segundo levantamento do Paraná Pesquisas, a pré-candidatura de Luciano Huck a presidente é rejeitada por 60,4% da população; a rejeição é maior entre homens (66,1%), mas 38,8% dos jovens com ensino fundamental gostam da ideia da sua candidatura.

Torquato mandou bem
O ministro Torquato Jardim (Justiça) apenas confirmou o que todo mundo já sabia, desta vez lastreado pelos serviços de inteligência: as relações promíscuas entre política, polícia e traficantes.

Pet é com ele
O ministro Ricardo Lewandowski (STF) caiu e se machucou, ontem, fazendo o que mais lhe dá satisfação: passear os cães. Sentindo dores, ele foi ao hospital fazer exames e descobriu fraturas nas costelas.

Abaixo o taxímetro
Em vez de “regulamentar” o Uber, o que só vai piorar sua qualidade, o Congresso deveria desregulamentar os táxis, assegurando-lhes a liberdade inclusive de praticar as tarifas que considerem mais justas.

Simples assim
Brasília segue a saudável tradição de não batizar prédios públicos com nomes de pessoas. Por decisão do Ministério da Justiça, a nova penitenciária da capital vai se chamar Presídio Federal de Brasília.

Remexendo gavetas
A Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) nega que pretenda o fim de planos de saúde de até 20 mil vidas. Mas o projeto está nas gavetas da Comissão Interministerial de Participações de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União.

Senador se retira
O senador Randolfe Rodrigues (AP) adotou uma estranha estratégia. Abandonou a CPI do BNDES afirmando que é “uma farsa”. E rodou a baiana contra o relator Carlos Marun (PMDB-MS) na CPI mista da JBS.

Oposição com ignorância
Enquete do site Diário do Poder mostra que só 19% dos entrevistados dizem ter lido a nova lei trabalhista que entra em vigor no dia 11. E espantosos 22% admitem “nenhum conhecimento” sobre a novidade.

Pensando bem…
…faria melhor o Congresso se aprovasse uma lei transformando todos os táxis em Ubers.

Poder sem pudor: ministro no jantar

ACM sempre viveu às turras com alguém. Era ministro do governo José Sarney e, claro, brigava com outros ministros. Um deles era o da Previdência, Renato Archer. Certa vez os dois se encontraram na antessala do presidente, no Planalto, e ACM puxou conversa:

– Esta coisa de vida pública é difícil. Ainda outra dia tive que desmentir um jornal que publicou, imagine, que eu teria dito que naquele dia você não jantaria ministro. Imagine que eu ia dizer uma coisa desta!
Sempre calmo, Archer apenas sorriu e ironizou:

– Não se preocupe. Em qualquer hipótese eu não deixaria de jantar…