Caso de assédio expõe insegurança nos ônibus

Por Pedro Nascimento - Metro BH
Ônibus estava na avenida Santos Dumont quando ocorreu o assédio - divulgação/GM
Caso de assédio expõe insegurança nos ônibus

No dia a dia do transporte público em Belo Horizonte, tão comum quanto a lotação e o trânsito, são os casos de assédio às mulheres. Mesmo que muitos não sejam relatados às autoridades, as frequentes denúncias em redes sociais dão uma noção de como isso se tornou triste e rotineiro.

“Já perdi as contas de quantas vezes deixei de sentar no ônibus por medo de estar ao lado de alguém mal-intencionado”, revela a estudante Rafaela Santos, de 23 anos. O medo veio depois que ela sentiu na pele o constrangimento de ser assediada em público. “Estava dentro do ônibus a caminho da aula, e estava lotado. Primeiro senti um esbarrão, mas me incomodei com isso. Logo depois, senti uma mão. Consegui identificar quem estava fazendo isso e corri para o fundo do ônibus. Mas daí ele também foi, como se estivesse me perseguindo”, diz Rafaela. Com medo, ela diz que desceu antes do ponto e perdeu a aula. “Não tinha onde denunciar e nem como. As coisas chegaram naquele ponto, com tanta gente ao redor, e eu me senti impotente”, declarou.

Assim como Rafaela, muitas mulheres se sentem desencorajadas na hora de relatar o assédio. Segundo a Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública), de janeiro a julho deste ano foram registrados 10 casos de importunação ofensiva ao pudor em ônibus em todo o Estado. O dado é considerado baixo, uma vez que os relatos acontecem com muito mais frequência.

Conforme a pesquisadora do Crisp (Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública), Ludmila Ribeiro, o processo é burocrático, e nem sempre satisfatório, o que desencoraja as mulheres. “É preciso um estudo para apontar o quanto esses casos são subnotificados, mas nós sabemos que as mulheres são desencorajadas a denunciar, seja pela dificuldade de provar algo, seja pela falta de preparo. E ainda existe a cultura de que a culpa é da mulher, o que torna tudo mais difícil. Estamos vendo como essa cultura do assédio é comum no cinema, nas corporações. O transporte público é só mais um”, critica a especialista.

Motoristas de BH estão preparados

A BHTrans informou que qualquer ato de desrespeito, assédio sexual e delito nos coletivos deve ser denunciado ao motorista do coletivo, que é orientado a parar o ônibus e solicitar intervenção policial.  

Preso pela manhã, solto pouco depois

Nesta terça-feira pela manhã, um homem de 46 anos foi detido pela Guarda Municipal após passar a mão nas partes íntimas de uma mulher de 22 anos dentro do ônibus 83D (Estação São Gabriel/Centro).

Segundo o relato da vítima à polícia, logo que percebeu que alguém passou a mão nela, ela mudou de lugar. Porém, o homem continuou. Vendo a situação, um rapaz perguntou se a jovem não gostaria de trocar de assento. Em seguida, o suspeito teria tentado passar a mão em outra mulher dentro do coletivo. Neste momento, o suspeito foi detido por populares.

Em depoimento à Polícia Civil, o acusado negou o ocorrido e disse que “esbarrou sem perceber”. Ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência por “oportunação ofensiva ao pudor”, e foi liberado em seguida.  

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