Música clássica transforma a vida de jovens moradores de Heliópolis

Por Metro Jornal São Paulo
Leandro, Tamires e Juan têm anos de história com a música - André Porto/ Metro
Música clássica transforma a vida de jovens moradores de Heliópolis

Quem for ao Theatro Municipal no domingo ver a apresentação da Orquestra Sinfônica Heliópolis, do Instituto Baccarelli, vai assistir a um belo espetáculo dedicado a Beethoven. E mais que isso. Verá no palco muitas pessoas que descobriram, com o trabalho do instituto, um futuro na música clássica que jamais tinham imaginado.

“A música está dentro de mim. Eu como escutando Beethoven. Se minha irmã grita, o som me lembra uma canção”, diz Juan Rogers Soares Rodrigues, violoncelista de 17 anos, que estará lá.

Mas não foi amor à primeira vista. Aluno do Baccarelli há 10 anos, ele conta que, no começo, as aulas eram apenas um passatempo. “Eu e meus pais não víamos como uma profissão.”

A família de Tamires Kamizaka de Melo, 22 anos, também não pensava que ela seguiria carreira quando a matriculou no coral do Baccarelli, aos sete anos.

“Tive apoio da minha família na infância, mas, na idade de trabalhar, o calo começa a apertar”, relembra.

Para Tamires, essa idade foi aos 15, quando ela já havia descoberto o talento com a trompa e a vontade de se profissionalizar. Ouvindo coisas como “isso é para rico, menina, se coloque no seu lugar”, a jovem bateu o pé até ser selecionada para a Orquestra Sinfônica Heliópolis, aos 16 anos. Ela sobe ao palco domingo também.

Diferentemente de Juan e Tamires, Leandro Cândido de Oliveira não cresceu em Heliópolis (zona sul). Nascido em Piracicaba (160 km de SP), ele conta que se identificou com a flauta logo que entrou em um projeto social de música, aos seis anos.

Mas a intenção de se profissionalizar não chegou tão rápido. “Demorei muito para ver música como profissão”, relata Leandro, que já trabalhou com contabilidade e na Justiça do Trabalho.

O flautista virou pai aos 17 anos. Foi quando o instrumento se tornou, além de um amor, uma fonte de renda. Na época, Leandro estudava música clássica em Tatuí (141 km de SP). Ele sentiu medo, mas com o tempo tudo se resolveu. “Melhorei nos estudos e ganhei bolsa para tocar em Tatuí.”

Aos 25 anos, passou em música na Unesp (Universidade Estadual Paulista),  mudou-se para a capital e entrou na orquestra de Heliópolis, na qual tocou flauta por oito anos.

Hoje a carreira musical é uma certeza para os três. Recém-formado no ensino médio e integrante da orquestra, o violoncelista Juan planeja estudar música fora do país em 2018. “Vai ser uma conquista grande para mim e minha família.”

Apesar da pouca idade, Tamires já deu aula para crianças no Instituto Baccarelli. Parou para fazer faculdade de música e, já no último ano, quer voltar a ensinar. “Quero ter uma classe, talvez até um projeto meu.”

Quando estiver na plateia domingo, sinta não só a música, mas a mudança que ela fez nessas vidas.

Serviço
Theatro Municipal de São Paulo  (praça Ramos de Azevedo). Domingo, a partir das 12h. R$ 10 (R$ 5 a meia). Ingressos no www.compreingressos.com.

 

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