A ideologia serial killer

Por fabiosaraiva

diego-casagrandeUm dos mais marcantes filmes de todos os tempos está completando 30 anos: “The Killing Fields” (EUA, 1984) – “Os gritos do silêncio” no Brasil. Uma história cruel e de perseverança. A história real de dois jornalistas e milhões de vítimas inocentes na Ásia. Dois profissionais de imprensa, um norte-americano e outro cambojano, vivem a tomada do país pelos comunistas do Khmer Vermelho, milicianos liderados por Pol Pot.

Era 1975 e os revolucionários, após vencer a guerra civil e derrubar o governo do Camboja, decidem que a história começava ali, recriando uma sociedade totalmente agrária, onde qualquer sinal do oposto deveria ser esmagado. Chamaram aquele de “ano zero” e mandaram boa parte da população para zonas rurais em horrendos campos de trabalho forçado. Acreditavam que o novo homem ungido pela crença marxista, seria reformado por dentro e por fora, nas fazendas coletivas onde não houvesse informação, cultura, relações familiares e, sobretudo, liberdade.

Durante os quatro anos de reinado de terror, estima-se que perto de 2 milhões de cambojanos tenham sido executados ou morrido de fome, sede e doenças, o equivalente a um quarto da população do país. Ainda hoje descobrem locais no Camboja onde é quase impossível contar os crânios.

O comunismo é, disparado, o regime mais tirânico da história contemporânea. Em seu “Livro Negro do Comunismo”, Stéphane Courtois, diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, assegura que o crime em massa foi elevado a uma forma de governo pelos regimes marxistas-leninistas. Não há ideologia que tenha banalizado tanto a morte. Foram 65 milhões de vítimas na China, 20 milhões na União Soviética, 2 milhões no Camboja, 2 milhões na Coreia do Norte, 1,7 milhões na África, 1 milhão no Vietnã, 1 milhão nos países comunistas do leste europeu.

Na América Latina foram 150 mil mortos, número pequeno – é possível dizer isso? – comparado ao resto do mundo. Na região, o único lugar onde o comunismo se instalou de fato foi a pequena Cuba, que se tornou uma atrasada e carniceira dinastia de dois irmãos. No entanto, guerrilhas comunistas como o Sendero Luminoso (Peru) e as Farc (Colômbia) deixaram um rastro de sangue. E há uma jovem ditadura na Venezuela.

Há quem diga que o comunismo acabou. Os próprios comunistas – muitos enrustidos – propagam isso. Bobagem. Há males que nunca acabam. Pior. Há males que estão mais próximos do que imaginamos.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

 

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