Negócio de pai para filho

Por fabiosaraiva

bruno-caetanoNo Brasil, mais de 90% das empresas são familiares, segundo o IBGE, o que significa que cada uma, a seu tempo, terá o comando transferido para um sucessor, na maioria dos casos, de pai para filho. Pesquisas mostram que de cada 100 empresas familiares abertas e bem sucedidas, 30 chegam à segunda geração e 15 à terceira. Tais números evidenciam quão importante é a passagem das rédeas das mãos do fundador para o herdeiro. Se mal feita, pode levar o empreendimento a uma administração equivocada e sucumbir por isso.

A sucessão é um procedimento demorado, que exige planejamento e, portanto, precisa começar o quanto antes. Não vamos tratar aqui de conflitos internos da família em que existe uma disputa pelo comando. Nesses casos, os interessados acabam até “jogando contra o patrimônio”, truncando o processo apenas para evitar que o “concorrente” fique com o posto. Partamos do princípio em que a escolha está pacificada e o objetivo é fazer a passagem de bastão da melhor forma possível.

O sucessor, antes de mais nada, deve mostrar aptidão para o negócio. Assumir uma empresa sem vocação para a tarefa é ligar uma bomba-relógio.

Consideremos, então, o herdeiro apaixonado pelo empreendimento. O passo seguinte é se preparar para a missão. Isso requer conhecer bem a empresa toda, ou seja, trabalhar nas mais variadas funções numa imersão no negócio. O futuro comandante precisa ser testado em situações que exijam poder de decisão, pois será sua realidade quando assumir. O preparo teórico também é fundamental. Ele tem de estudar para entender das especificidades da empresa e de gestão. Além disso, é muito importante passar por experiências profissionais fora do empreendimento da família, assim vai adquirir uma maior vivência para levar para seu negócio.

O herdeiro deve ainda possuir espírito inovador, já que enfrentará um mercado em constante transformação e se não acompanhar as mudanças, apostando só em repetir o pai, corre sério risco de perder o rumo e fracassar.

Não estamos falando de uma fórmula matemática. Mas é óbvio que quanto maior a preparação para a sucessão, feita de forma profissional, mais chances de dar certo. Arriscar o negócio da família por questões emocionais e afetivas não é uma boa opção.

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP e mestre e doutorando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. O Sebrae-SP é uma instituição dedicada a ajudar micro e pequenas empresas a se desenvolverem e se tornarem fortes. Saiba mais em www.sebraesp.com.br


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