Hits da década de 90 embalam revival pelas festas de São Paulo

Por Carolina Santos
festa-GAS-TOTAL-INFERNOCLUB-foto-por-Leandro-Godoi Divulgação

A década de 1990, na história da música, foi o tempo do “acasalamento” de ritmos. Época do grunge, da evolução da linguagem videoclíptica, da calça “big”, do Street Fighter, da Família Dinossauro, do movimento clubber e de uma infinidade de elementos que marcaram a cultura pop. Na visão de figuras carimbadas da noite paulistana, como um dos idealizadores e DJ residente da festa Freedom 90’s, Rick Levy, trata-se de um dos períodos mais divertidos e peculiares já vividos pela geração pós-Disco. Fruto de parceria com o DJ Alexandre Bezzi, o projeto mensal e itinerante faz sucesso com a proposta de revival noventista.

“Já foi duvidoso afirmar isso, mas hoje podemos dizer que o revival dos anos 90 é uma tendência. Tem muita banda atual que é super na pegada ‘nineties’. A Azealia Banks, por exemplo, usa pencas de samples nas músicas dela”, argumenta ele, que já promove edições da Freedom 90’s há dois anos. “Junto com a Freedom, surgiram outras, e a concorrência apertada confirma essa tendência.”

Segundo Denis Romani, uma das cabeças por trás da produção da festa Tiger Robocop, a onda nostálgica tem explicação até que simples: “Atualmente, a geração que cresceu nos anos 90 representa uma grande parcela do público que frequenta a noite brasileira. Esse pessoal andava carente de festas que relembrassem sua infância e adolescência.” Quem jogava videogame nas antigas já deve ter sacado de onde veio o nome da balada. “Era como o pessoal chamava o golpe ‘tiger uppercut’, do Sagat. Parecia que a locução falava ‘tiger robocop’”, diverte-se ao relembrar. Criada em abril de 2011, a Tiger, cujas edições rolam em clubes como o Hot Hot e o Lab Club, vem atraindo uma galera que tem majoritariamente entre 23 e 35 anos.

Nas picapes, disparam sons de bandas como Nirvana, Planet Hemp, Rage Against the Machine e Weezer; mas o pop também acha vez nas discotecagens de Romani, João Pedro Ramos e Raphinha Lucchesi, com hits de Shaggy a Spice Girls. “Conforme o público vai ficando mais alcoolizado e empolgado, a energia da festa vai acompanhando, até chegar em clássicos esquecidos do funk e do axé”, conta Romani.

Já no projeto que homenageia o programa de TV homônimo apresentado por Gastão Moreira na MTV, a Gás Total, do clube Inferno, além das discotecagens sempre acontecem shows de bandas covers. Na edição junina, teve tributo a Charlie Brown Jr. e Link Park Cover. À frente da iniciativa, está Thiago Deejay, locutor da 89Rock, que recrutou os amigos, DJs e pesquisadores musicais Chapeleta (Revista Dynamite) e Renam Bulgueroni para se juntarem à causa. “A riqueza cultural do período tem arrastado muita gente para o Baixo Augusta. Todas as edições foram bombadas.”

Mas, será que essa onda veio para ficar? Quem responde é Rick Levy: “Não acho que será um revival eterno, mas com certeza vai durar um bom tempo. A própria nostalgia oitentista já deu uma cansada, e agora continua como algo mais compactado a certas tribos.”

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