Popular guru indiano é condenado à prisão perpétua por estuprar adolescente

Líder espiritual que tem 400 retiros espalhados por 19 países foi sentenciado à prisão perpétua por ter estuprado a filha de 16 anos de um casal de seus seguidores com a desculpa de a estar libertando de espíritos malignos.

Por BBC Brasil

Um guru espiritual indiano que afirma ter milhões de seguidores em todo o mundo foi sentenciado à prisão perpétua por estuprar uma garota de 16 anos.

Asaram Bapu, de 77 anos, foi condenado nesta quarta-feira por estuprar em 2013 uma de suas seguidoras em seu ashram (centro de meditação e ensino religioso) em Jodhpur. Ele deve apelar.

O guru tem 400 ashrams ao redor do mundo, onde ensina meditação e ioga.

Bapu também está sendo julgado em outro caso de estupro no oeste do estado de Gujarat.

Jodhpur está em alerta máximo, devido à possibilidade de que haja violência por parte dos seguidores do guru, segundo relata a correspondente da BBC Priyanka Dubey.

O juiz proferiu seu veredito de dentro do presídio da cidade – as autoridades receavam que o julgamento no tribunal causasse tumulto.

Dois dos auxiliares do guru também foram condenados e receberam penas de 20 anos de prisão. Outros dois foram absolvidos.

No ano passado, outro caso envolvendo um guru, Gurmeet Ram Rahim, também condenado por estupro, gerou violência em Jodhpur – na ocasião, 23 pessoas morreram.

101035065ca883d140b2e44fc828b2c6ec8d3bf25-799d386e33af9eb4856699cfad6f9f29.jpg A cidade de Jodhpur ganhou reforço policial ante o temor de que seguidores de Bapu cometessem atos violentos por causa de sua prisão / EPA

Entenda o caso do guru Asaram Bapu

Asaram Bapu foi preso em 2013, após os pais da menina terem-no acusado de estuprar a filha.

A família da menina a havia enviado ao ashram por acreditar que ela "estava sob influência de algum poder sobrenatural".

Ela relatou que foi forçada a praticar sexo oral e que foi tocada de maneira inapropriada.

A família chegou ao ashram de Jodhpur em 14 de agosto daquele ano. Na noite seguinte, Bapu teria chamado a vítima para o seu quarto, sob o pretexto de "curá-la". Ele então estuprou a vítima enquanto seus pais esperavam do lado de fora cantando suas orações, segundo a polícia.

A polícia diz que o guru forçou a vítima a realizar atos sexuais e ameaçou matar sua família se ela falasse sobre o incidente.

A vítima contou aos pais o que havia acontecido no dia seguinte. Eles tentaram confrontar Bapu, mas foram impedidos de entrar em seus ashrams.

Quem é Asaram Bapu?

Asumal Harpalani nasceu em abril de 1941, em uma aldeia chamada Bernai, na região de Sindh, no atual Paquistão.

Sua família migrou para a cidade de Ahmadabad, em Gujarat, após a divisão da Índia.

Na década de 1960, ele começou a praticar o espiritualismo com diferentes gurus – um dos quais lhe deu o nome de Asaram. Ele formou seu primeiro ashram em 1972, nas margens do rio Sabarmati, na cidade de Motera, Gujarat.

101026500gettyimages178900631-6c154fe7fe267b0c60e39f6f7b310708.jpg A prisão de Bapu gerou protestos na Índia / Getty Images

Sua influência se espalhou para diferentes partes da Índia e ao redor do mundo nas décadas seguintes.

De acordo com seu site, ele tem 40 milhões de seguidores em todo o mundo e construiu 400 retiros espirituais em 19 países.

Importantes políticos indianos, incluindo o primeiro-ministro Narendra Modi, participaram de seus sermões no passado.

Ele tem propriedades no valor de milhões de dólares em toda a Índia. A polícia também o está investigando por corrupção e falsificação.

Controvérsias em torno de seu julgamento

Bapu também é acusado de estuprar outra mulher na cidade de Surat, em Gujarat, entre 2002 e 2004. O julgamento deste caso está em andamento.

Pelo menos nove testemunhas nos dois casos foram atacadas nos últimos cinco anos – três delas morreram desde então.

A polícia está investigando esses ataques.

As famílias das vítimas insistem que o guru e seus seguidores estão por trás desses ataques – uma alegação que ele nega.

Outros gurus nas manchetes

Bapu não é o primeiro guru indiano a ser acusado criminalmente e considerado culpado.

O jornal indiano Hindustan Times lista uma série de gurus controversos que estiveram nos noticiários nos últimos anos. As acusações incluem assassinato, abuso sexual e corrupção.

Em 2017, por exemplo, Gurmeet Ram Rahim Singh foi condenado a 20 anos de prisão por estupro. Ele também foi investigado por assassinato e acusado de forçar seus seguidores a se submeterem a castrações para "se aproximar de Deus".

Já Baba Rampal está atualmente na cadeia por uma série de acusações graves, incluindo assassinato e tentativa de homicídio. Ele foi acusado de operar um centro de aborto ilegal em seu ashram, onde várias armas também foram confiscadas.

Swami Nithyananda, por sua vez, foi acusado de obscenidade depois que um vídeo mostrou que ele estava aparentemente envolvido em um ato sexual com uma atriz de cinema. Ele alegou ser inocente e disse que o vídeo era falso. Ele foi detido em 2010, mas libertado sob fiança. Ele ainda está aguardando julgamento em vários casos.

Muitas figuras espirituais indianas têm seguidores internacionais.

Um dos mais memoráveis ​​foi Bhagwan Shree Rajneesh, chamado anos depois de Osho, que morreu em 1990 e ensinou aos seus devotos que o amor livre era o caminho para a iluminação.

Recentemente, a Netflix lançou um documentário em capítulos sobre Osho, chamado Wild Wild Country, em que narra como ele criou uma comunidade utópica em um rancho de Oregon, no início dos anos 80, antes de se envolver em planos de assassinato e do maior ataque bioterrorista da história dos EUA.

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