Zuckerberg pede desculpas no Senado dos EUA e reafirma compromisso com segurança

Por AE

O presidente-executivo (CEO) do Facebook, Mark Zuckerberg, assumiu a culpa e pediu desculpas pelo uso inadequado de informações de usuários da rede social pela empresa de análise de dados Cambridge Analytica e disse que "está claro" que a empresa não fez o bastante para proteger as informações das pessoas. Devido a esse fator, o executivo afirmou que o Facebook está investigando dezenas de milhares de aplicativos que utilizam dados de usuários da plataforma.

"Estamos passando por uma mudança filosófica mais ampla e precisamos de uma visão mais ativa sobre o uso de nossas políticas", disse Zuckerberg durante sessão conjunta do Comitê Judiciário e do Comitê do Comércio do Senado dos Estados Unidos. Aos senadores, o CEO do Facebook afirmou acreditar que mostrar aos usuários os dados que eles compartilham é algo importante e disse que foi "um claro erro" acreditar na Cambridge Analytica.

No mês passado, o Facebook revelou que cerca de 87 milhões de usuários tiveram seus dados utilizados inadequadamente pela Cambridge Analytica, que é vinculada à campanha do presidente dos EUA, Donald Trump. "Nós cometemos diversos erros ao administrar a companhia", disse o executivo, citando a confiança na empresa de análise de dados como um desses erros. Para mostrar o empenho da empresa com segurança, o CEO do Facebook disse que o grupo interceptou dezenas de milhares de contas falsas, desenvolveu novas ferramentas para sinalizar perfis falsos e afirmou que "faremos o possível para proteger a integridade das eleições no Brasil, na Índia e nos EUA".

Nesse sentido, Zuckerberg lembrou que a companhia está colaborando com a investigação de Robert Mueller sobre a suposta interferência da Rússia na eleição presidencial americana de 2016 e disse que funcionários da companhia foram procurados pela equipe de Mueller para depor. Para o CEO do Facebook, o suporte da plataforma à campanha de Trump foi similar ao de outras campanhas e a meta da companhia não é o engajamento no discurso político.

Em relação às políticas de privacidade da companhia, Zuckerberg comentou que o Facebook tem lutado há anos para fazer suas políticas de privacidade mais acessíveis aos usuários. "Não esperamos que a maioria das pessoas queira ler um documento legal completo", disse o executivo. Recentemente, a empresa lançou um novo termo de serviço que descreve a utilização de dados para personalizar postagens e anúncios que os usuários veem, as circunstâncias nas quais compartilha dados e as informações coletadas quando os usuários sincronizam seus contatos. No entanto, o executivo foi taxativo ao dizer que a empresa não vende dados para anunciantes e que não coleta dados de outros aplicativos.

Durante a audiência, Zuckerberg afirmou que o Facebook não está apenas trabalhando para conectar pessoas, mas para garantir que essas conexões sejam positivas. Antes, ele não havia enfatizado que a empresa trabalhava apenas para gerar coisas boas. "Do outro lado do conselho, temos a responsabilidade de não apenas construir ferramentas, mas garantir que elas sejam usadas para o bem", comentou.

Ele também disse que não é contra regulações a empresas de tecnologia da informação, desde que elas sejam corretas. Além disso, Zuckerberg apontou que, em sua opinião, a regulação para provedores de internet e plataformas "deve ser diferente" das demais.

Modelo de negócios

"Se os consumidores tiverem problema com o carro da Ford, poderão comprar um Chevrolet em seguida. Os usuários do Facebook têm essa alternativa?", questionou o senador republicano Lindsey Graham (Carolina do Sul). Como resposta, Zuckerberg disse que o americano médio usa oito aplicativos diferentes para manter contato com seus amigos. O senador, então, pergunta se não existe um monopólio no segmento de redes sociais. "Certamente, não é assim para mim", respondeu o executivo.

A pergunta deu abertura para questões sobre o modelo de negócios do Facebook. Zuckerberg defendeu que não coleta dados de outros aplicativos e disse que não vende informações de usuários para anunciantes. No entanto, defendeu o modelo empregado pelo grupo. "A base de anúncios ainda é a melhor para nós", disse, mas não rejeitou a possibilidade de um produto pago, ao dizer que "sempre haverá um serviço gratuito do Facebook".

Mercado

O depoimento de Zuckerberg no Senado americano foi bem-recebido pelos investidores. Em Nova York, a ação do Facebook fechou em alta de 4,50%, a US$ 165,04. Com isso, a companhia atingiu US$ 479 bilhões em valor de mercado, após ganhar US$ 21 bilhões somente nesta terça-feira.

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