Agressor em vídeo polêmico retuítado por Trump não era imigrante, afirmam autoridades

Série de três vídeos polêmicos compartilhados por Trump estremeceu relação entre EUA e Reino Unido, levando até a primeira-ministra Theresa May a se pronunciar.

Por BBC Brasil
Agressor em vídeo polêmico retuítado por Trump não era imigrante, afirmam autoridades

Três vídeos compartilhados no Twitter pelo presidente americano, Donald Trump, estão forçando autoridades internacionais a se pronunciarem.

O material retuítado nesta quarta-feira por Trump, que tem mais de 40 milhões de seguidores, teve como origem postagens de Jayda Fransen, líder o movimento de extrema-direita britânico Britain First. O primeiro vídeo foi acompanhado por uma mensagem de Fransen que dizia: "Imigrante muçulmano bate em menino holandês de muletas".

No entanto, um representante do Ministério Público holandês afirmou à BBC que a pessoa acusada e presa pela agressão "foi nascida e criada na Holanda" e não é um imigrante. A religião do condenado pelo ataque é desconhecida. Mais tarde, a embaixada da Holanda na capital americana, Washington DC, confirmou a informação no Twitter.

Mencionando o perfil de Trump, a embaixada escreveu: "Os fatos importam sim. O autor deste ato violento do vídeo foi nascido e criado na Holanda. Ele recebeu e completou sua sentença sob a lei holandesa".

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A origem dos segundo vídeo compartilhado por Fransen e Trump também não está clara. Nele, um homem aparece destruindo uma pequena estátua da Virgem Maria e dizendo: "Ninguém além de Alá será venerado na terra do Levante [uma referência comum à Síria]". O vídeo foi adicionado ao YouTube em 2013.

O terceiro vídeo tem origem nas turbulências que marcaram o Egito em 2013 e mostra um homem sendo empurrado do alto de um prédio em Alexandria. Em 2015, as pessoas envolvidas no incidente foram condenadas e uma delas executada.

99009042trumptweets-661f4472b659602723209a7d7c883f65.jpg Trump retuítou vídeos compartilhados por Jayda Fransen, líder de movimento britânico de extrema-direita / BBC

Rusgas entre Trump e May

Após as postagens de Fransen serem retuítadas por Trump, um porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May, classificou o compartilhamento do conteúdo por Trump como algo "errado".

"Os britânicos rejeitam fortemente a retórica de preconceito da extrema-direita que é a antítese dos valores que este país representa – decência, tolerância e respeito", afirmou o porta-voz. "O que o presidente fez foi errado".

Em seguida, Trump respondeu a May pelo Twitter – ao menos esta foi a tentativa do presidente americano. Isto porque ele inicialmente citou em seu tuíte uma conta que não era de May, mas de um usuário com apenas seis seguidores. Ele então deletou a mensagem original e enviou um novo tuíte para o perfil oficial da primeira-ministra: "Não foque em mim, foque no Terrorismo Islâmico Radical destrutivo que está ganhando espaço no Reino Unido".

98995709b2debefe854f4ef3ae790a239062c7a9-7f22f53dfa205fb67000604b684f9d76.jpg Theresa May e Donald Trump em encontro na Assembleia Geral da ONU / Reuters

Nesta quinta-feira, May falou diretamente sobre o assunto, em viagem à Jordânia. Ela reafirmou que os retuítes de Trump foram uma atitude "errada", mas não cedeu à pressão para cancelar uma visita oficial ao presidente americano.

Ela afirmou que a "relação especial" entre o Reino Unido e os Estados Unidos atende a "interesses das duas nações" e deve assim continuar.

"Um convite para uma visita oficial foi apresentada e aceita. Nós só precisamos agora definir uma data".

Perguntada sobre os tuítes compartilhados por Trump, ela afirmou: "O fato de trabalharmos juntos não significa que tenhamos medo de expressar quando avaliamos que os Estados Unidos erraram, e sermos claros quanto a isto. E tenho muito claro que retuítar o [material do movimento] Britain First foi a coisa errada a se fazer".

Nos EUA, em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, a porta-voz Sarah Sanders foi perguntada se Trump sabia quem era Fransen ao compartilhar seus tuítes. Ela respondeu acreditar que não.

"Mas eu acho que ele sabia quais eram as questões [envolvidas], isto é, que temos uma ameaça real de violência extrema e terrorismo", disse Sanders. "Se é um vídeo real [ou não], a ameaça é real".

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