Submarino desaparecido é 'velho e tem manutenção altamente discutível'

Por band.com.br com Rádio Bandeirantes
Jessica Gopar, mulher de um dos tripulantes, é amparada por parentes na Base de Mar del Plata - (Foto: Marcos Brindicci/Reuters)
Submarino desaparecido é 'velho e tem manutenção altamente discutível'

O submarino da Marinha Argentina Ara San Juan, desaparecido com 44 pessoas a bordo, é "velho e tem sua manutenção altamente discutível", segundo o jornalista Roberto Godoy, especialista em armamentos. Uma semana depois do sumiço da embarcação, as autoridades argentinas confirmaram nessa quinta-feira (23) que o ruído no fundo do mar, detectado três horas após o submarino ter feito o último contato, era uma explosão.

"O problema dele [submarino desaparecido] é que ele é muito velho, e a manutenção é altamente discutível. A revisão de meia-vida de um submarino deste tipo demora dois anos – já a revisão de meia-vida deste demorou sete. Teve que ser interrompida várias vezes. Faltou dinheiro, esse tipo de coisa", diz Roberto Godoy.

O último contato feito com os tripulantes do submarino ocorreu no dia 15 de novembro, quando o capitão da embarcação relatou um curto-circuito no sistema de baterias.

O Ara San Juan foi construído na Alemanha, em 1983, e foi incorporado à Marinha Argentina dois anos depois. A embarcação passou por reformas há alguns anos, quando foram realizados mais de 429 reparos.

Ao final da primeira etapa dos trabalhos, em 2011, a então presidente Cristina Kirchner afirmou que o submarino ganharia mais de 30 anos de vida útil. Em 2014, o Ara San Juan voltou ao mar, o que foi comemorado pelos tripulantes na época.

Localização

Se houve uma explosão no submarino argentino, a embarcação pode ter descido até o fundo do mar. Caso isso tenha realmente acontecido, será mais difícil localizar o San Juan. O jornalista Roberto Godoy, especializado em armamentos, explica porquê.

"Se o submarino está ‘morto’ não tem como ele ser detectado como numa busca mais primária, ele será detectado como um monte de metal afundado no mar. Isso pode ser confundido com reservas minerais", diz.

Godoy cita os aviões que os Estados Unidos ofereceram para as buscas. Cada aeronave tem sensores muito poderosos, de acordo com o especialista.

“Eles são capazes de detectar, por exemplo, aqueles grandes submarinos russos, mergulhados, em movimento, apenas pela milimétrica operação no nível da água que ele provoca quando está transitando”, explica.

O submarino perdeu contato com a base quando deixava a Patagônia rumo a Mar del Plata, ao sul de Buenos Aires, na quarta-feira da semana passada. Porém, esta data não pode ser levada em conta para calcular um eventual estoque de oxigênio da embarcação.

Falta de comunicação não significa falta de respiração, segundo o comandante da Marinha Brasileira Luis Antônio de Menezes Cerutti, responsável por um dos cinco submarinos do nosso país.

“O submarino tem um ciclo de renovação do ar atmosférico a bordo, que ele faz isso sempre que vai recarregar suas baterias. Então ele aspira o ar atmosférico externo, renova o ar interno enquanto está dando cargas na sua bateria e você tem o ar renovado a bordo. Como se perdeu comunicação na quarta-feira (15), a gente não sabe a última vez que o submarino conseguiu fazer a renovação do ar atmosférico”, falou.

Além dos Estados Unidos, pelo menos outros seis países, incluindo o Brasil, participam das buscas ao submarino argentino.

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