Haiti, um dos países da América Latina que ainda pede socorro

Por: Por Rose Guglielminetti - Metro Campinas

Billy Bernardin é um menino de 8 anos que mora em um orfanato do Haiti. Seu sorriso e o gingado ao ouvir uma haitimúsica demonstram uma alegria que contagia a todos. A miséria e a destruição de seu país são esquecidas por alguns segundos ao contemplá-lo. Nadia também é outra criança que conquista a todos pela espontaneidade. Ela é pura festa. Os dois representam o futuro do país que é um dos mais pobres da América e detém o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do continente americano, segundo a ONU. Eles mesmos são vítimas da pobreza – nem sempre têm duas refeições diárias (e estou falando apenas de um prato de arroz puro ou um cozido de polenta) para comer. Mas contam com a solidariedade de muitas pessoas que se dedicam ao próximo.

Hospitais e orfanatos contam com o apoio dos voluntários. São missionários e freiras que trabalham horas cortando o infernal trânsito de Porto Príncipe – onde moram 9 dos 11 milhões de habitantes do Haiti – para levar comida e ajuda médica para os idosos e crianças, já que a maioria da população vive abaixo da linha de pobreza e cerca de 60% dos habitantes são subnutridos.

Em todo o Haiti o caos está instalado – não há saneamento básico (banheiro é um luxo), as moradias são casebres de madeira; o comércio é uma feira ambulante que se instalada m cada esquina – ali vende de um tudo desde comida até roupas; a oficina mecânica e as borracharias são a céu aberto. As ruas da capital são esburacadas e sem asfalto. A poeira e o calor são os donos do lugar. Para evitá-los as mulheres usam toucas e chapéus.

Se a miséria choca, a existência de um bairro de classe média alta também. Pention Ville concentra um bom número de mansões e carros de luxo. De outro lado, há ainda pessoas que moram na área mais atingida pelo terremoto de 2010 em barracos de lona. Crianças e velhos esquecidos à própria sorte. “Não há nada de bom que possa vir do Haiti”, disse uma moradora que trabalha em um dos 800 orfanatos de Porto Príncipe.

Mas há coisa boa sim. A alegria e o voluntariado fazem toda diferença no País. Francisco César e Ana Lúcia Bezerra são dois brasileiros que foram morar no Haiti após o terremoto de 2010. Ele conta que duas cenas o chocaram: Um menininho deitado em um banco, morrendo de fome e sem forças para espantar as moscas e crianças pegando papelão para fazer comida. Eles socorreram a criança que hoje está bem e o orfanato agora conta com ajuda de comida. Assim como eles, outros voluntários têm sido a esperança deste povo tão sofrido.

Um olhar para o próximo

Um grupo de 13 brasileiros – eu estava entre eles – esteve no Haiti neste mês para fazer trabalho voluntário, liderado pelos pastores Adenir e Sônia Leônis. O serviço foi desde pegar um bebê no colo para dar-lhe afeto porque este não tem mãe até lixar beliches e pintá-las para um orfanato.

Como não se emocionar ao ver um idoso aprendendo a ler e uma criança rir alto com uma peça de teatro? Como não ser grato pelas pessoas que não foram, mas doaram verba para custear a escola de 108 crianças? Foram dias de lágrimas, mas também de muita certeza de que há esperança para este país.

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