No dia do combate à violência contra a mulher, artista mostra personagens agredidas

Por Nadia
Divulgação/Alexsandro Palombo Divulgação/Alexsandro Palombo

Branca de Neve, Cinderela, Marge Simpson e Olívia Palito, além de outras famosas dos desenhos animados, com narizes e bocas sangrando, olhos roxos e um olhar muito infeliz. Carimbadas com a palavra coward (“covarde”, em inglês), elas têm nas mãos imagens de quem as agrediu: seus companheiros nas histórias de fantasia infantil.

Esse foi o jeito que o artista italiano Alexsandro Palombo, conhecido pelas versões adultas e provocadoras de personagens das animações, encontrou para denunciar a violência sofrida por milhares de mulheres diariamente. Em seu blog, o “Humor Chic”, ele também já mostrou como seriam as princesas da Disney com deficiências físicas e após uma mastectomia.

“Desvirtuar as clássicas personagens dos cartoons é uma característica típica do meu trabalho, os transformo para contar histórias que dizem respeito a realidades da nossa sociedade. Desde sempre me ocupo de temáticas sociais importantes”, explicou o artista em entrevista ao Portal da Band.

A série de desenhos, iniciada em março deste ano pelo italiano, está alinhada com o alerta do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, que é celebrado nesta terça-feira (25). Segundo a ONU, que criou a data, uma em cada três mulheres no mundo já foi alvo de violência física ou psicológica, na maior parte das vezes cometida pelos seus parceiros. Das vítimas de feminicídio, metade foi morta por seus companheiros ou familiares

Palombo está ciente dos números assustadores e cita que uma mulher é morta na Itália a cada dois dias – segundo dados de 2013 do Ipea, no Brasil são 15 assassinadas a cada 24h. “É um mal social inaceitável, me envergonho como homem do comportamento daqueles que usam de violência contra as mulheres, eles não são homens, mas seres desprezíveis”, afirma o desenhista. “Cabe aos homens verdadeiros perseguir e combater estes covardes.”

O artista não se preocupa que os pequenos possam ficar chocados ao verem as personagens desfiguradas pela violência. “Acho terrível imaginar o que veem as crianças na família, porque é muito mais forte e cruel da que as minhas obras mostram. Em muitos casos, quando um homem mata a própria companheira, faz isso em casa e frequentemente na frente dos próprios filhos”, justifica Palombo, que ressalta a necessidade de que os pais ensinem os meninos a respeitatem as meninas desde cedo. “Desse modo, existiriam mais homens de verdade”, argumenta.

Questionado sobre qual é sua personagem nascida no mundo dos cartoons preferida, ele não tem dúvidas. “Com certeza Marge Simpson, porque representa perfeitamente todas as mulheres. Em cada mulher existe uma Marge Simpson.”

ONU inicia ações de combate à opressão

Uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo forçado e 133 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Embora essas violações sejam comuns ao cotidiano de milhares de mulheres, muitas vezes elas se tornam invisíveis ou são tratadas como algo relativo à esfera familiar. Para romper esse silêncio, desde 1981 o movimento feminista comemora, com luta, em 25 de novembro, o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher.

Neste ano, a ONU Mulheres, organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero, iluminará o prédio da entidade em Brasília e também a sede principal, em Nova York, com a cor laranja. A iluminação é uma das atividades que serão promovidas de hoje (25) até o dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, no âmbito dos chamados 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero.

Representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman diz que a data contribui para a inserção da luta contra a violência na agenda política. “É uma data que tem sido importante para mobilizar tanto o governo quanto a sociedade civil e colocar na pauta dos meios de comunicação esse problema, que é muito grave entre as mulheres”, explica.

No Brasil, a programação é diversa. Hoje, no Rio de Janeiro, haverá exposição de grafite, oficina e roda de conversa sobre violência contra a mulher. Amanhã será a vez de um debate na internet sobre os compromissos assumidos pelos países para enfrentar a violência, além das políticas públicas para garantir os direitos das mulheres. Nos dias 26 e 27, serão realizadas oficinas e debates, em Brasília e João Pessoa, com juízes e outros operadores de Justiça sobre a adaptação do Protocolo Latino-Americano para Investigação das Mortes por Razões de Gênero à legislação brasileira. A programação seguirá em dezembro e pode ser conferida no site da ONU Mulheres.

A representante da organização no Brasil destaca que, neste ano, a campanha também alerta para o cumprimento da Plataforma de Ação de Pequim, cuja aprovação completará 20 anos em 2015. Fruto da 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher, a plataforma listou 12 áreas de trabalho, como Mulheres e Pobreza e Mulheres e a Mídia, e apontou ações concretas que deveriam ser desenvolvidas pelos países signatários para promover a igualdade de gênero.

Em relação à violência, considerava que essa violação “constitui obstáculo a que se alcance os objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz”, nos termos da declaração. Quase 20 anos depois da aprovação do texto, mais de dois terços dos países aprovaram leis contra a violência doméstica, em decorrência das propostas elaboradas em Pequim, segundo a ONU. As leis, contudo, não têm sido cumpridas a contento, na avaliação da organização. Além disso, o objetivo de “prevenir e eliminar todas as formas de violência contra as mulheres e meninas” segue distante.

“Há toda uma questão da prevenção da violência contra as mulheres que tem a ver com os estereótipos de gênero e as relações entre homens e mulheres, além das leis, políticas e planos, os quais têm que ser formulados. Também é preciso ter recursos, tanto humanos quanto financeiros [para sua implementação]”, diz Nadine.

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