Morte de palestino suspeito de atirar em judeu provoca confrontos em Israel

Por Carolina Santos
Manifestantes palestinos entraram em confronto com as forças de segurança israelenses | Ammar Awad/Reuters Manifestantes palestinos entraram em confronto com as forças de segurança israelenses | Ammar Awad/Reuters

A polícia israelense matou a tiros nesta quinta-feira um palestino de 32 anos suspeito de ter tentado matar um ativista judeu de ultradireita horas antes, o que desencadeou confrontos intensos em Jerusalém e temores de um novo levante palestino. Em meio à tensão, Israel fechou a Esplanada das Mesquitas aos visitantes por precaução, na primeira interdição total do local, sagrado tanto para judeus como para muçulmanos, em 14 anos

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, criticou as ações israelenses, que disse serem “equivalentes a uma declaração de guerra”. Mas no final do dia a polícia de Israel declarou que o local seria reaberto para as tradicionais rezas semanais de sexta-feira, segundo o jornal local “Haaretz”.

O corpo de Moataz Hejazi foi encontrado em uma poça de sangue entre antenas de televisão no teto de uma casa de três andares em Abu Tor, bairro misto de judeus e árabes ao sul da Cidade Velha de Jerusalém, enquanto forças israelenses isolavam a área e repeliam manifestantes palestinos.

Hejazi era suspeito de ter disparado contra Yehuda Glick, ativista religioso de ultradireita que liderou uma campanha para que os judeus tenham permissão de rezar na Esplanada das Mesquitas.

Polícia prende ativista | Reuters Polícia prende ativista | Reuters

Colono nascido nos EUA, Glick foi alvejado a tiros na noite de quarta-feira, quando saía de uma conferência no Centro Menachem Begin de Jerusalém. O atirador escapou na garupa de uma motocicleta.

Um porta-voz do centro disse que Hejazi havia trabalhado no restaurante da entidade. Glick, de 48 anos, recebeu quatro tiros e está internado em estado grave, mas estável, informaram os médicos.

Moradores disseram que centenas de policiais israelenses participaram da busca por Hejazi, à noite. Ele foi rastreado até a casa da família em Abu Tor e cercado no terraço de um edifício vizinho.

Tensão

A UE disse estar “muito preocupada” com a situação e pediu a israelenses e palestinos que atenuem a tensão. A porta-voz do serviço diplomático do bloco, Maja Kocijancic, pediu a retomada de negociações, “única forma capaz de alcançar uma solução”.

Chanceler sueca diz que Palestina reúne ‘critérios’ | A. Klercker/Reuters Chanceler sueca diz que Palestina reúne ‘critérios’ | A. Klercker/Reuters

Suécia é o 1º país na UE a reconhecer Estado palestino

O governo sueco reconheceu nesta quinta-feira, por decreto, o Estado da Palestina, em uma medida que transforma o país no primeiro da região ocidental da UE (União Europeia) a tomar a decisão. A Suécia se junta a um grupo de ao menos 112 países que reconhecem a Palestina. Mas na contagem da AP (Autoridade Palestina) são 134, incluindo República Tcheca, Hungria, Polônia, Bulgária, Romênia, Malta e Chipre, membros da UE que teriam feito o reconhecimento antes de entrar para o bloco.

Em um artigo publicado no jornal sueco “Dagens Nyheter”, a ministra das Relações Exteriores, Margot Wallström, escreve que “o governo toma a decisão de reconhecer o Estado da Palestina”, no que chama de “um passo importante que confirma o direito dos palestinos à autodeterminação”.

Segundo o artigo de Wallström, o governo sueco considera que estão reunidos “os critérios do direito internacional para um reconhecimento do Estado da Palestina: um território, mesmo sem fronteiras fixas, uma população e um governo”.

“Esperamos que isso mostre o caminho a outros”, completa a ministra.

Abbas e Lieberman

Em resposta à decisão, o presidente palestino, Mahmud Abbas, comemora e “pede a outros países que sigam o exemplo, afirmou o porta-voz Nabil Abu Rudeina.

Israel, por outro lado, classificou o reconhecimento de “deplorável”, afirmando que a decisão apenas reforçará os extremistas. “É uma decisão deplorável, que reforça os extremistas e a política de rejeição dos palestinos”, afirmou em nota o ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman.

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