Estados Unidos vão isolar militar que voltar da África

Por lyafichmann
Enfermeira recebeu alta nesta quarta-feira | T. Chappell/Reuters Enfermeira recebeu alta nesta quarta-feira | T. Chappell/Reuters

O secretário de defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse nesta quarta-feira que aprovou um esquema rigoroso de monitoramento de 21 dias para todos os soldados do país que retornarem da missão de ajuda ao surto de ebola na África ocidental, de acordo com o Pentágono. Hagel disse que a decisão será reavaliada em 45 para decidir se será mantida.

Hagel, seguindo as recomendações dos principais comandantes militares, assinou um memorando pedindo a implementação do plano para o regime de monitoramento, disse o almirante John Kirby, secretário de imprensa do Pentágono, em um comunicado.

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A decisão do chefe do Pentágono foi estendida para todas as tropas dos EUA retornando de países atingidos pelo ebola, uma política estabelecida inicialmente pelo general Ray Odierno, chefe de pessoal do Exército.

Rigor

O período de isolamento de 21 dias é mais rigoroso do que o recomendado pelas autoridades de saúde norte-americanas, que pediram monitoramento, mas não isolamento, de quem retornasse das missões, mesmo sem sintomas da doença.

O governo do presidente norte-americano Barack Obama vem trabalhando para dissuadir os Estados dos Estados Unidos que querem impor quarentenas nos médicos, enfermeiras e outros profissionais de saúde que voltam da África Ocidental, além de ter lutado contra a pressão política de criar um banimento de viagens de pessoas vindo ou indo para as regiões afetadas.

Libéria

Nesta quarta a OMS (Organziação Mundial da Saúde) disse que a Libéria parece registrar uma redução na disseminação do ebola, uma vez que houve queda nos enterros e estabilidade nos casos confirmados em laboratório.

A epidemia da doença, que começou em março, já matou mais de 5 mil pessoas, a maioria na África ocidental, entre mais de 13 mil casos, disse a OMS.

Análise – O ebola nas eleições dos EUA*

Na próxima terça-feira haverá eleições parlamentares nos EUA e dois itens se impuseram, com um Obama desgastado, como cabeças de “slogans” da oposição republicana. Um é o ebola, talvez com cotação maior de que o outro, o EI (Estado Islâmico), terrorismo que até agora se mostrou incontrolável. “Podemos concordar que basta um bloqueio temporário de viajantes chegando aos EUA?”, vociferou um candidato republicano em campanha procurando desalojar um senador democrata.

Centenas de ativistas, reunidos para traçar os rumos da campanha de seu candidato de oposição, reagiram gritando em coro “ebola”, conforme registrou uma agência de notícias. O fantasma de um epidemia nos EUA perfilou-se ao lado de informações sobre a violência do EI e seus desdobramentos dentro e fora do país. Candidatos republicanos acusam Obama de fracasso no trato com o terrível binômio.

Um deles disse que “nossa segurança nunca foi de trato tão precário”. Não ajudará o bloqueio temporário de viajantes de países africanos atingidos “a não ser que ele faça parte de uma estratégia mais ampla”. Quanto ao terrorismo islâmico, Obama é criticado por não ter ajudado, com armas, os rebeldes sírios “moderados”. Com popularidade em queda, o presidente se torna um democrata incômodo mesmo para os de seu partido, às voltas com ebola e terrorismo islâmico.

*Newton Carlos – Jornalista

 

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