Atirador do Parlamento em Ottawa era suspeito de alto risco

Por Tercio Braga
Bibeau | Reuters Autoridades disseram que Michael Zehaf-Bibeau agiu sozinho | Reuters

O atirador que matou um soldado na quarta-feira em Ottawa, capital do Canadá, Michael Zehaf-Bibeau, de 32 anos, tinha registros de pelo menos 11 crimes cometidos em Calgary desde 2001, entre os quais roubo, posse de armas e de drogas, segundo o jornal local “The Star”.

Bibeau nasceu em Montreal e morou em Calgary e Vancouver. As autoridades confirmaram nesta quinta-feira que ele agiu sozinho. Segundo um amigo, o atirador, que se convertera ao Islã, planejava uma viagem ao Oriente Médio e dizia que “o diabo estava atrás dele”. O homem morreu durante uma troca de tiros com a polícia dentro do Parlamento.

‘Não choro pelo meu filho’

A mãe do atirador, Susan Bibeau, declarou que chora “pelas vítimas, e não pelo meu filho”. Ela disse não saber o que dizer aos que ficaram feridos. “É possível explicar algo assim?”, indagou. “Sentimos muito”.

Ela disse que o filho parecia “perdido” e que não o via havia mais de cinco anos. “Tenho poucas explicaçõe

s para oferecer”.

Na quinta Ottawa tentava voltar à normalidade, apesar do clima de tensão. A polícia prendeu um homem sob a mira de armas a poucos passos de onde o premiê Stephen Harper e sua esposa depositavam uma coroa de flores no Memorial Nacional de Guerra para marcar o assassinato do cabo Nathan Cirillo, de 24 anos, no local.

Gritando e sacando as armas, policiais cercaram o homem e lhe ordenaram que se deitasse. A polícia de Ottawa informou que ele foi detido por “perturbar a cena do crime” no memorial. Sua intenção não ficou clara de imediato.

Palmas demoradas

No início da sessão parlamentar desta quinta, o segurança do Parlamento a quem se atribuiu a morte do atirador recebeu uma salva de palmas demorada, reabrindo o debate na câmara vestido em seu uniforme cerimonial de costume.

Harper e membros do Parlamento se colocaram de pé enquanto Kevin Vickers, sargento de armas do Exército canadense, liderou o desfile tradicional que inaugura cada sessão.

Harper deixou coroa de flores no local de tiros | Chris Wattie/Reuters Harper deixou coroa de flores no local de tiros | Chris Wattie/Reuters

Premiê vai acelerar planos para reforçar segurança

Um dia depois do ataque que matou um militar em Ottawa, capital do Canadá, o premiê Stephen Harper disse que o governo vai acelerar os planos para dar mais poder de detenção e vigilância a agências de segurança.

Discursando na Câmara dos Comuns a poucos metros do local onde o atirador foi abatido, Harper reconheceu que a segurança precisa ser “mais reforçada”. “Eu garanto a vocês que esse trabalho, que está em andamento, será acelerado”, disse.

O premiê disse que os legisladores vão agilizar os novos poderes para contrapor a ameaça de radicais. “O objetivo desses ataques era instaurar medo e pânico em nosso país”, afirmou. “Os canadenses não serão intimidados. Seremos vigilantes mas não nos apavoraremos. Seremos prudentes mas sem pânico”.

Segundo o premiê, o ataque, que ocorre na esteira de um incidente na segunda-feira em Québec no qual um convertido ao Islã atropelou dois soldados canadenses com seu carro, matando um deles, vai fortalecer a reação do Canadá a “organizações terroristas”.

Espionagem

Os ataques em Ottawa e Québec ocorreram no momento em que o governo se prepara para fortalecer os poderes de sua agência de espionagem, o Serviço de Inteligência e Segurança Canadense.

O ministro da Segurança Pública, Stephen Blaney, anunciou na semana passada que a nova legislação permitirá à agência rastrear e investigar terroristas em potencial quando viajarem para o exterior e até mesmo processá-los.

Ontem o ministro da Defesa, Rob Nicholson, disse que as manobras do país no Iraque contra o Estado Islâmico, com envio de caças, seguirão em frente.

Homem é preso ao tentar se aproximar de premier canadense

Um homem foi preso na capital do Canadá, após tentar se aproximar do primeiro-ministro Stephen Harper, enquanto ele prestava uma homenagem ao soldado morto na quarta-feira.

Reportagem: Narração/Carolina Thomeu

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