Em meio a debates espinhosos para a Igreja, papa Francisco beatifica Paulo VI

Por Tercio Braga
Sacerdotes assistem à missa pela beatificação de Paulo 6º, na praça de São Pedro, no Vaticano | Tony Gentile/REUTERS Sacerdotes assistem à missa pela beatificação de Paulo 6º, na praça de São Pedro, no Vaticano | Tony Gentile/Reuters

O papa Francisco beatificou neste domingo Paulo 6º em uma missa para cerca de 70 mil pessoas na Praça de São Pedro, no Vaticano. A cerimônia marcou o encerramento da assembleia de duas semanas de bispos católicos, que  revelou as profundas divisões da Igreja sobre como tratar homossexuais e pessoas divorciadas.

Francisco dedicou a maior parte de seu sermão ao sínodo, como é conhecido o encontro dos bispos, e disse que a Igreja não deve temer mudanças e novos desafios. “Deus não teme coisas novas. É por isso que ele está continuamente nos surpreendendo, abrindo nossos corações e nos guiando em caminhos inesperados”, disse.

O papa afirmou ainda que o sínodo sobre a família se tratou de uma “grande experiência” de união e lembrou que a Igreja deve curar as feridas e dar esperança.

As sessões do encontro do sínodo terminaram na noite de sábado com um documento final que reverteu a aceitação histórica dos gays pela Igreja. O resultado é visto por alguns progressistas como um retrocesso para o papa Francisco.

Depois de um esboço inicial do documento final lançado na última segunda-feira, os bispos conservadores prometeram alterar os termos sobre homossexuais, coabitação e novo casamento. Eles argumentam que os termos iriam criar confusão entre os fiéis e que ameaçavam prejudicar a família tradicional.

13º papa beato

O papa Paulo 6º foi o 13º pontífice beatificado pela Igreja Católica. Ele ficou mais conhecido pela conclusão das reformas do II Concílio do Vaticano e que consagrou a proibição da Igreja sobre a contracepção.

O processo de beatificação, iniciado em 1993, foi aprovado em maio pelo papa Francisco. O milagre atribuído a Paulo 6º, e que o permitiu ser beatificado, é a cura de um feto diagnosticado com graves problemas cerebrais no início da década de 1990 na Califórnia, nos EUA. A mãe se recusou a abortar e a criança acabou nascendo saudável.

Giovanni Montini, que escolheu o nome de Paulo para mostrar a sua missão de propagação da mensagem de Cristo, tornou-se papa em 21 de junho de 1963. Foi o primeiro líder da Igreja Católica a viajar pelos cinco continentes e o primeiro a conversar com o líder da Igreja Anglicana e dirigentes das diversas igrejas ortodoxas orientais. Ele morreu em 6 de agosto de 1978. 

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