Vacina contra ebola só deve ser comercializada a partir de 2016

Por fabiosaraiva
Com roupas especiais, integrantes de equipe de emergência isolam área de estacionamento próximo ao Pentágono onde mulher que viajou recentemente para a África vomitou | Kevin Lamarque/Reuters Com roupas especiais, integrantes de equipe de emergência isolam área de estacionamento próximo ao Pentágono onde mulher que viajou recentemente para a África vomitou | Kevin Lamarque/Reuters

A vacina experimental contra o vírus ebola desenvolvida pela empresa britânica GSK só será comercializada em 2016 e “não deve ser considerada uma resposta urgente à epidemia em curso”, declarou o responsável pelo programa.

GSK (GlaxoSmithKline) é uma das empresas farmacêuticas que tenta desenvolver de forma urgente uma vacina contra a febre hemorrágica que já fez mais de 4.500 vítimas, principalmente no oeste africano.

A vacina cAd3-ZEBOV, que utiliza como vetor um adenovírus de chimpanzé no qual foi inserido um gene do vírus ebola, faz parte das duas vacinas “promissoras” identificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os primeiros testes em seres humanos se iniciaram na África, Estados Unidos e Reino Unido, e a GSK deve produzir 10 mil doses que estarão disponíveis para testes no início de 2015.

“Mas antes de podermos utilizar a vacina (na população), precisamos de dados sobre sua eficácia e sua segurança, e esses dados não estarão disponíveis antes do final de 2015. Desta forma, a produção de doses em grande escala só acontecerá em 2016”, declarou o Dr Ripley Ballou, chefe do programa de pesquisa sobre a vacina à BBC.

“Eu não acredito que isso possa ser visto como uma primeira resposta à atual epidemia”, disse ele, ressaltando a necessidade de “entre sete e dez anos para desenvolver uma vacina.”

“Nós estamos comprimindo este período em apenas um ano, o que corresponde a um procedimento acelerado ao extremo. Infelizmente ele não está indo tão rápido quanto gostaríamos”, acrescentou Ballou.

A GSK evocou um desenvolvimento acelerado da vacina já em março em conjunto com a OMS, de acordo com Ballou. Mas as duas partes decidiram juntas que a melhor abordagem seria “acompanhar de perto” a evolução da epidemia.

“Ninguém previu que precisaríamos de uma vacina. Deveríamos ter puxado o gatilho mais cedo. Mas não se trata de apontar o dedo para ninguém”.

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