Evo Morales declara vitória na eleição presidencial na Bolívia

Por Carolina Santos
Evo Morales durante votação neste domingo | Danilo Balderrama/Reuters Evo Morales durante votação neste domingo | Danilo Balderrama/Reuters

O presidente boliviano, Evo Morales, foi eleito para o terceiro mandato consecutivo nesta segunda-feira com cerca de 60% dos votos, segundo números preliminares da apuração. O principal candidato opositor, Samuel Doria Medina, ficou com 25%. Ele reconheceu a derrota.

Morales se declarou vitorioso logo depois que as pesquisas de boca-de-urna apontaram sua vitória por esmagadora maioria de votos na eleição no domingo. O presidente disse que a vitória foi resultado das reformas socializantes que reduziram a pobreza de 60% para 45% no país e estenderam o papel do Estado na economia boliviana, que está em expansão. “Esta vitória é um triunfo para os anti-imperialistas e anticolonialistas”, declarou Morales.

“Este foi um debate sobre dois modelos: nacionalização ou privatização. A nacionalização venceu com mais de 60% (de apoio)”, disse ele, da sacada do palácio presidencial, a milhares de simpatizantes que aplaudiam, em La Paz.

No discurso, ele dedicou a vitória ao cubano Fidel Castro e ao líder falecido da Venezuela Hugo Chávez.

Primeiro líder indígena da Bolívia, Morales elegeu-se pela primeira vez em 2006 e ficará no governo até 2020. Ele vai agora ser capaz de estender o chamado “socialismo indígena”, pelo qual estatizou setores-chave da economia, como petróleo e gás, para financiar programas de bem-estar social e construir novas estradas e escolas.

Boca de urna

Embora os resultados das urnas sejam demorados no país, a pesquisa de boca de urna da TV Unitel apontou que Morales obteve 61% dos votos enquanto Medina ficou com 24%.

Outras duas sondagens também lhe deram vantagem de mais de 60%, o que indica que Morales conquistou facilmente um terceiro mandato presidencial. Pesquisas apontam maioria dos votos em Morales em oito dos nove departamentos (Estados) do país, incluindo o pólo industrial de Santa Cruz, bastião eleitoral da oposição até há pouco tempo.

Fracasso

Tratando de digerir sua terceira derrota eleitoral, Medina, magnata do cimento, acusou outro dirigente opositor pelo fracasso de não ter selado uma aliança para desafiar Morales e por “contribuir para que o MAS (Movimento ao Socialismo, partido governista) possa manter sua hegemonia”.

“Faremos com que não haja mais reeleições, que se cumpra a Constituição e as leis”, prometeu.

Análise – Santa Cruz*

Evo Morales reelege-se tratando de reduzir tensões entre os “cambas”, mestiços de Santa Cruz pouco afeitos a socialismos, e os “collas”, indígenas andinos. Santa Cruz continua sendo espécie de geradora da economia boliviana, de olhos voltados para o Brasil. Nunca se entendeu muito bem com Morales, político de extração indígena. Os “cambas” ganharam peso político com a renovação de parte do Congresso no ano passado.

Morales e seu Movimento ao Socialismo concluíram que era preciso, afinal, atrai-los de alguma maneira, sem que se saiba que repercussões políticas isso terá. A 25 de setembro Morales tornou público um plano de “expansão” econômica de Santa Cruz. Serão construídas hidrelétricas ao longo do Rio Grande. Quase em cima das urnas, Morales também prometeu “expandir” a indústria petroquímica de Santa Cruz com a construção de uma terceira usina.

Serão “melhorados” os sistemas de saúde e de educação de Santa Cruz, onde também marcou presença o vice Linera, segundo quem Santa Cruz se tornará “centro alimentício do continente” com o fortalecimento de direitos jurídicos de propriedade de terras, adoção de linhas de créditos e gastos de mais de US$ 1 bilhão em estradas e pontes. Os “cambas” foram às urnas se engajando em boa parte no socialismo de Morales.

*Newton Carlos – Jornalista

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