Após uma semana, ‘paciente zero’ de ebola morre nos EUA

Por Carolina Santos
Hospital demorou a diagnosticar ebola em liberiano | Jim Young/Reuters Hospital demorou a diagnosticar ebola em liberiano | Jim Young/Reuters

A primeira pessoa diagnosticada com ebola nos EUA, o liberiano Thomas Eric Duncan, morreu na manhã desta quarta-feira no hospital do Dallas, no Estado do Texas, em que estava internado, disse um porta-voz do local.

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Duncan foi diagnosticado com ebola depois de chegar ao Texas proveniente da Libéria, no oeste da África, no dia 20 de setembro, para visitar sua família. O caso levantou preocupações de que o surto possa se espalhar pelos EUA.

Diversos pacientes norte-americanos foram enviados da região ocidental da África, foco do surto, para tratamento nos EUA. Duncan, contudo, foi a primeira pessoa a começar a demonstrar sintomas da doença já em território norte-americano.

Ele conseguiu voar da Monróvia, capital da Libéria e epicentro do surto, para os EUA porque não apresentou febre ao ser examinado no aeroporto. O homem, de cerca de 40 anos, preencheu um questionário em que declarava não ter tido contato com pessoas infectadas pelo vírus letal. Autoridades na Libéria, entretanto, disseram que ele mentiu no questionário porque esteve em contato com uma mulher grávida que morreu depois.

O ebola pode levar até três semanas para manifestar sintomas em suas vítimas, ponto a partir do qual se torna contagioso. O vírus, que pode causar febre, vômitos e diarreia, espalha-se através do contato com fluídos corporais como sangue e saliva.

 

Antibióticos
Duncan começou a se sentir doente pouco depois de sua chegada ao Texas. Ele se dirigiu a um hospital de Dallas em 25 de setembro, mas foi inicialmente mandado de volta para casa após ser medicado com antibióticos.

O estado do paciente piorou e ele retornou de ambulância para o hospital em 28 de setembro, sendo então diagnosticado com ebola.

Em um comunicado divulgado nesta quarta, o porta-voz do hospital, Wendell Watson, disse que “é com profunda tristeza e sincera decepção que devemos informá-los sobre a morte de Thomas Eric Duncan nesta manhã às 7h51 (horário local)”.

“A última semana tem sido um enorme teste para nosso sistema de saúde, mas para uma família tem sido muito mais pessoal. Hoje eles perderam um querido ente. Eles têm nossas sinceras condolências e nossos sentimentos estão com eles”, disse o titular do Departamento de Serviços de Saúde do Texas, David Lakey, em um comunicado.

 

Aeroportos
Os EUA vão começar a medir a temperatura de passageiros que chegam a aeroportos norte-americanos vindos da África Ocidental a partir deste fim de semana.

As autoridades aeroportuárias vão utilizar um equipamento não invasivo para monitorar a temperatura dos passageiros e pedirão que eles respondam a um questionário elaborado pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA com informações detalhadas sobre suas atividades na África, disse uma autoridade do governo familiarizada com os planos.

O presidente Barack Obama participou ontem de uma reunião telefônica com envolvidos no combate à doença para discutir a prontidão do país.

 

Premiê espanhol procurou acalmar população em relação ao ebola | Andrea Comas/Reuters Premiê espanhol procurou acalmar
população em relação ao ebola | Andrea Comas/Reuters

Rajoy pede confiança nos agentes de saúde
O premiê espanhol, Mariano Rajoy, pediu nesta quarta-feira a calma da população e confiança nos agentes de saúde, depois que mais uma enfermeira foi internada por precaução após a contaminação por ebola de uma colega. A enfermeira foi colocada em observação com uma “febre persistente”.

“Neste momento o que devemos fazer é estar atentos e manter a tranquilidade”, disse Rajoy durante sessão no Congresso. “Peço que deixem os profissionais de saúde trabalharem, que confiemos neles, pois têm um prestígio merecido. A saúde espanhola é uma das melhores do mundo”.

Rajoy disse ainda que um comitê de acompanhamento foi criado para garantir a coordenação entre os responsáveis da comunidade autônoma de Madri, do governo federal e das instituições europeias.

A Espanha se tornou o centro das atenções da comunidade médica internacional desde a confirmação do primeiro contágio do vírus fora do oeste africano.


Doença continua ‘fora de controle’ na África, diz OMS

A OMS (Organização Mundial de Saúde) disse que não há nenhuma evidência de que a pior epidemia de ebola da história está sendo mantida sob controle na África Ocidental.

Segundo números divulgados ontem pela agência da ONU, o vírus já matou 3.879 pessoas, em um total de pouco mais de 8 mil casos até 5 de outubro.
Os dois países mais atingidos pelo surto, Libéria e Serra Leoa, tinham apenas 21% e 26%, respectivamente, dos leitos que precisavam, segundo a OMS.
A entidade informou, ainda, que países vizinhos foram avisados ​​para se prepararem diante do risco de que a doença se espalhe através das suas fronteiras.

Banco Mundial
O Banco Mundial disse ontem que o impacto do ebola na África pode chegar a US$ 32,6 bilhões até o fim de 2015 se o surto ultrapassar as fronteiras dos países mais atingidos até agora.

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