Paciente com Ebola em Dallas está "lutando pela vida", diz autoridade dos EUA

Por Carolina Santos
Carro da Cruz Vermelha diante de local em que Duncan esteve | M. Stone/Reuters Carro da Cruz Vermelha diante de local em que Duncan esteve | M. Stone/Reuters

A primeira pessoa a desenvolver Ebola nos Estados Unidos está lutando para sobreviver em um hospital de Dallas neste domingo, depois que seu estado de saúde piorou para um nível crítico, disse o diretor dos Centros de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

Thomas Eric Duncan ficou doente depois de chegar à cidade Texas vindo da Libéria há duas semanas — aumentando as preocupações de que a pior epidemia de Ebola já registrada poderia se espalhar além da África Ocidental, onde começou em março. Ela já matou mais de 3.400 pessoas.

“O homem em Dallas, que está lutando por sua vida, é o único paciente a desenvolver Ebola nos Estados Unidos”, disse o diretor do CDC, Thomas Frieden, ao programa “State of the Union” da CNN.

Em Nebraska, outro hospital está se preparando para a chegada de um paciente com Ebola, que contraiu a doença na Libéria, disse um porta-voz neste domingo.

O porta-voz do Nebraska Medical Center, Taylor Wilson, identificou o paciente apenas como um cidadão do sexo masculino dos EUA que deve chegar na segunda-feira. Mas o pai da Ashoka Mukpo, um cinegrafista freelancer que trabalha para a rede NBC e que contraiu o Ebola na Libéria, disse à Reuters na sexta-feira que seu filho estava indo para Nebraska para o tratamento.

O caso de Duncan destacou os problemas que as autoridades de saúde pública norte-americanas estão tentando arduamente resolver: o hospital de Dallas, onde ele inicialmente foi admitido não reconheceu a doença mortal e mandou-o de volta para casa, apenas para ele voltar dois dias depois em uma ambulância.

“A questão do erro inicial no diagnóstico é preocupante”, disse Frieden, acrescentando que as autoridades de saúde pública tinham redobrado seus esforços para aumentar a conscientização sobre a doença.

“Nós estamos vendo mais pessoas nos chamando, considerando a possibilidade de Ebola — que é o que queremos ver”, disse ele à CNN. “Nós não queremos que as pessoas não sejam diagnosticadas.”

Frieden disse estar confiante de que a doença não se espalhará amplamente dentro dos Estados Unidos. Autoridades norte-americanas também estão reforçando sua resposta na África Ocidental, onde o Ebola representa um enorme desafio, acrescentou.

“Mas isso vai levar tempo”, disse Frieden. “O vírus está se espalhando tão rápido que é difícil acompanhar.”

Em Dallas, o porta-voz do Texas Health Presbyterian Hospital, Wendell Watson, disse que a condição de Duncan permanece crítica neste domingo. Ele não deu mais detalhes.

O hospital de Nebraska no último mês também tratou e liberou Rick Sacra, um missionário americano que também contraiu Ebola na Libéria.

Sacra foi internado em um hospital de Massachusetts no sábado com uma provável infecção respiratória que não se acredita ser uma decorrência da doença, disseram funcionários do hospital.

Quando perguntado neste domingo, se os EUA deveriam suspender os voos de e para os países infectados ou impor uma proibição de visto para os viajantes provenientes desses países, Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse que “absolutamente não”.

“Quando você começa fechando países dessa forma, existe um perigo real de tornar as coisas piores”, disse Fauci ao Fox News Sunday. “Você pode causar instabilidade no país. É concebível que governos podem cair se você apenas isolá-los completamente.”

O CDC identificou 10 pessoas que tiveram contato direto com Duncan como tendo maior risco de infecção. Outros 40 estavam sendo monitorados por potenciais contatos, de um grupo de 114 pessoas inicialmente avaliado quanto aos riscos de exposição, embora nenhum de qualquer grupo tenha mostrado sintomas, disse Frieden.

O Ebola, que pode causar febre, vômitos e diarreia, se espalha através do contato com fluidos corporais como sangue ou saliva.

União Africana pede ajuda

A União Africana (UA) pediu nesta segunda-feira o envio de mais funcionários para “romper o ciclo do ebola”, durante uma reunião em Paris da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE).

“É essencial enviar funcionários. Precisamos de mais recursos humanos para romper o ciclo do ebola”, declarou a presidente da Comissão da UA, Nkosazana Dlamini-Zuma, ao abrir o Fórum Econômico Internacional sobre a África da OCDE.

“As infraestruturas são bem-vindas, mas estas por si só não vão solucionar o problema. Necessitamos de recursos humanos”, destacou.

Guiné, Libéria e Serra Leoa, os países mais afetados, “não têm funcionários de saúde suficientes. Uma parte sucumbiu à doença”, disse.

Até o momento, a febre hemorrágica provocou 3.439 mortes de um total de 7.478 casos registrados na África ocidental, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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