Turquia aprova operações militares contra Estado Islâmico

Por lyafichmann
Membros do grupo islâmico sunita celebram no Iraque | Youssef Boudlal/Reuters Membros do grupo islâmico sunita no Iraque | Youssef Boudlal/Reuters

O Parlamento turco aprovou nesta quinta-feira uma moção que possibilita ao governo a realização de incursões militares através das fronteiras do país no Iraque e na Síria para enfrentar militantes do EI (Estado Islâmico), apesar de não haver ainda indícios claros de que essa ação é iminente.

A moção, aprovada por uma maioria de três quartos do Parlamento, também permite que soldados estrangeiros sejam estacionados na Turquia. A medida ainda permite o uso de bases militares do país para os mesmos objetivos.

O governo turco vem enfrentando pressão de aliados para desempenhar um papel de relevância na campanha militar liderada pelos EUA contra o EI, depois que o grupo avançou para dentro do campo de visão de posições militares turcas na fronteira com a Síria. O avanço do EI também força Ancara cada vez mais na direção de envolvimento no conflito.

O presidente Recep Tayyip Erdogan insiste que os ataques aéreos da coalizão não serão suficientes, sozinhos, para conter a ameaça. Em discurso no Parlamento, na quarta-feira, ele pediu a remoção do presidente sírio, Bashar al-Assad, do poder.

Curdos

Ancara também se mostra relutante em tomar medidas que possam fortalecer os combatentes curdos aliados do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), um grupo militante que lutou contra o Estado turco por três décadas e com o qual tensas conversas para um acordo de paz estão sendo conduzidas.

Os combatentes curdos, conhecidos como YPG (Unidades de Defesa Popular), estão enfrentando os insurgentes do EI no norte da Síria. O PKK é classificado como grupo terrorista pela Turquia, pelos EUA e pela UE.

Militantes curdos alertaram que as conversas com Ancara serão encerradas caso se permita que o EI realize um massacre na cidade predominantemente curda de Kobani.

Estado Islâmico distribui panfleto para pedir “aliança” com seu líder

Insurgentes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria têm distribuído um panfleto conclamando os muçulmanos a jurarem lealdade ao chefe do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, insistindo numa campanha para estabelecer um “califado”, mesmo que forças lideradas pelos Estados Unidos estejam bombardeando suas posições.

Baghdadi reivindica o poder sobre o califado islâmico, o Estado muçulmano criado pelos primeiros seguidores do profeta Maomé após sua morte, o que tem deixado muitos líderes muçulmanos furiosos e serviu de estopim para uma batalha ideológica por legitimidade.

Fontes islâmicas na Síria disseram que o panfleto, distribuído amplamente online por apoiadores do Estado Islâmico (EI), representa um passo a mais na campanha do grupo para estabelecer um califado e familiarizar o público com Baghdadi.

Intitulado “Estenda suas mãos e jure lealdade a Baghdadi”, o panfleto parece ter como base um comunicado mais longo, escrito no ano passado pelo representante religioso do grupo, Turki al-Binali, no qual argumenta as razões pelas quais Baghdadi merece receber a lealdade dos islâmicos.

Dirigindo-se “a qualquer um que lutou ou ainda luta no caminho de Deus… aos comandantes de grupos”, o panfleto remonta a linhagem de Baghdadi até o profeta Maomé, ressalta seus estudos sobre a lei islâmica e lista suas conquistas no campo de batalha, enquanto pede aos apoiadores que se unam contra um grupo de inimigos.

Uma coalizão dos Estados Unidos e aliados árabes, incluindo a Arábia Saudita, que segue a doutrina ultraconservadora wahhabi do islamismo sunita, tem conduzido ataques aéreos contra o EI na Síria.

“Não seria o momento de se unir aos seus irmãos? Estabelecer e elevar seu Estado? O inimigo tem aliados para combater você, então se una para combatê-lo”, diz o panfleto.

A campanha liderada pelos Estados Unidos tem levado alguns membros do grupo afiliado à Al Qaeda na Síria, a Frente Nusra, a pressionarem seus líderes para que se reconciliem com o EI, após os dois grupos terem se desentendido este ano.

Entre vários acadêmicos de história religiosa, o panfleto cita Mohammad ibn Abd al-Wahhab, fundador da escola wahhabi saudita, cuja aliança no século 18 com a família saudita continua a servir como alicerce para a política do país.

O establishment religioso do reino tem feito campanha contra a militância nas últimas semanas, descrevendo tanto o Estado Islâmico como a Al Qaeda como os principais inimigos do islã. Em agosto, o grande mufti da Arábia Saudita pediu aos jovens que ignorem os chamados para se juntar à jihad feitos por pessoas que representam “princípios pervertidos”.

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