Ataques de coalizão favorecem avanço do Exército iraquiano

Por fabiosaraiva
Membros do grupo islâmico sunita celebram no Iraque | Youssef Boudlal/Reuters Membros do grupo islâmico sunita celebram no Iraque | Youssef Boudlal/Reuters

Forças curdas do Iraque capturaram um estratégico cruzamento de fronteira e diversas vilas das mãos de combatentes do EI (Estado Islâmico) no norte do país neste terça-feira, somando vitórias à medida que os terroristas do grupo têm sido castigados por pesados ataques aéreos liderados pelos EUA.

Uma fonte política curdo-iraquiana disse que combatentes peshmergas curdos tomaram controle do cruzamento de fronteira de Rabia, porta de entrada para a Síria, em uma batalha que começou antes do amanhecer, num momento em que o Exército iraquiano avança pelo sul.

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“É o ponto mais estratégico de cruzamento. Uma vez tomado, vai cortar a rota de abastecimento (do EI) e tornar mais fácil a operação para chegar a Sinjar”, disse a fonte, referindo-se à montanha mais ao sul onde membros da minoria yazidi estão emboscados por combatentes do grupo sunita.

A capacidade de cruzar a fronteira livremente tem sido uma grande vantagem tática para combatentes do Estado Islâmico em ambos os lados. Eles foram da Síria para o norte do Iraque em junho e voltaram com armamentos pesados após terem dominado forças do governo iraquiano, e têm utilizado essas armas para expandir seu território na Síria.

Guerras paralelas

Em duas guerras complexas e multilaterais, os combatentes sunitas do EI estão enfrentando governos xiitas em ambos os países, grupos sunitas rivais na Síria e forças curdas em várias regiões.

Washington espera que os ataques, conduzidos junto a aliados europeus no Iraque e a forças aéreas de países árabes na Síria, ajudarão forças curdas e o governo do Iraque, além de sunitas moderados na Síria.

No Iraque, uma coalizão entre o Exército, milicianos xiitas e tropas curdas peshmergas tem lentamente recapturado vilas sunitas que caíram sob controle do EI ao sul de Kirkuk.

Estado Islâmico vende antiguidades iraquianas no mercado negro para se financiar

Artefatos iraquianos antigos estão surgindo no mercado negro à medida que militantes do Estado Islâmico usam intermediários na venda de tesouros inestimáveis para financiar suas atividades depois de dominar o norte do país, afirmaram autoridades iraquianas e ocidentais.

Os militantes adquiriram alguma experiência com antiguidades depois de assumirem o controle de grandes partes da Síria, mas quando capturaram a cidade de Mossul, no norte do Iraque, e a província de Nínive, em junho, tiveram acesso a quase dois mil dos 12 mil sítios arqueológicos registrados do país.

A Mesopotâmia, parte do Iraque atual, foi uma das primeiras civilizações. Seu nome significa “entre os rios” em grego, uma referência aos rios Tigre e Eufrates, que tornaram a região um epicentro de agricultura e comércio e uma encruzilhada de civilizações.

Lugar onde ficavam as antigas Nínive e a Babilônia, cujos jardins suspensos eram uma das sete maravilhas do mundo antigo, a área foi o lar dos sumérios, que deram ao mundo a escrita cuneiforme – a mais antiga forma de escrita ocidental – aproximadamente em 3.100 a.C.

Discursando em uma conferência da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) em Paris, para alertar sobre o risco para a herança cultural iraquiana, Qais Hussein Rasheed, responsável pelo Museu de Bagdá, disse que grupos organizados estão atuando em coordenação com o Estado Islâmico.

“É uma máfia internacional de artefatos”, declarou aos repórteres. “Eles identificam os itens e dizem o que podem vender”. Como algumas das peças têm mais de dois mil anos, é difícil saber seu valor exato.

Citando autoridades locais ainda em áreas dominadas pelo Estado Islâmico, Rasheed afirmou que o maior exemplo de pilhagem até agora ocorreu no grande palácio de Kalhu do rei assírio Assurbanípal II, do século nove a.C.

“Tábuas assírias foram roubadas e encontradas em cidades europeias”, disse ele. “Alguns destes itens são cortados e vendidos em partes”.

Outra autoridade iraquiana, que não quis se identificar, disse que os artefatos também estão sendo escavados, e que países vizinhos como Jordânia e Turquia precisam fazer mais para evitar que tais peças cruzem as fronteiras.

“As coisas estão passando por nossas fronteiras e indo parar em casas de leilões no exterior”, afirmou. “Infelizmente, muito do lucro destes artefatos será usado para financiar o terrorismo”.

Um diplomata ocidental declarou ser cedo demais para avaliar exatamente quantos tesouros iraquianos atravessaram as fronteiras.

“Vimos centenas de milhões de dólares em peças sírias surgirem depois que seus sítios foram saqueados, então é razoável esperar o mesmo do Iraque”, disse.

O evento da Unesco, que reuniu diplomatas, autoridades iraquianas e especialistas na herança cultural iraquiana, acontece antes da assembleia geral da entidade, na qual a França irá apresentar uma resolução para chamar a atenção dos países-membros e criar uma missão para ajudar o Iraque a avaliar os danos.

Mãe de brasileiro do Estado Islâmico é retirada do tribunal

Rosana Rodrigues, a brasileira que é mãe do combatente do Estado Islâmico Brian de Mulder, acusou o líder da organização islamista Sharia4Belgium de ter destruído a vida de sua família. Nascido na Bélgica, Mulder luta junto com Estado Islâmico desde 2013. Rosana fez as afirmações durante o primeiro dia do julgamento do grupo Sharia4Belgium por recrutamento de combatentes estrangeiros, ocorrido nesta segunda-feira.

As informações são da BBC Brasil. “Você arruinou nossas vidas”, gritou Rosana, muito alterada, em direção a Fouad Belkacem, antes de ser retirada da sala de audiência pela polícia.

“Tudo o que desejo para o senhor Belkacem é que ele vá para o inferno. Se acontecer alguma coisa com Brian, vou perseguir ele (Belkacem) até a morte”, disse à imprensa do lado de fora do Palácio de Justiça da Antuérpia, onde acontece o julgamento.

As audiências serão reiniciadas no dia 8 de outubro com as argumentações de defesa. As sentenças serão pronunciadas no mesmo dia.

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