Presidente do Afeganistão toma posse em meio a disputas e violência

Por Carolina Santos

O Afeganistão empossou nesta segunda-feira seu primeiro novo presidente em uma década, oficializando o tecnocrata Ashraf Ghani como chefe de um governo com poder compartilhado, em um momento no qual a saída de grande parte das tropas estrangeiras se coloca como um teste ao país.

A primeira transferência democrática de poder na história do Afeganistão tem sido tudo menos suave: o acordo para um governo de união foi concretizado após meses de impasses sobre uma eleição na qual tanto Ghani como o adversário Abdullah Abdullah reivindicaram vitória.

Numa demonstração dos problemas que aguardam o novo presidente, um homem-bomba matou sete pessoas em um posto de controle de segurança perto do aeroporto de Cabul, momentos antes da posse de Ghani, disse uma autoridade de governo. O Taliban assumiu a responsabilidade pelo atentado.

Em seu discurso de posse, Ghani fez um apelo para que o Taliban e outros grupos militantes se juntem às negociações de paz e encontrem um desfecho para mais de uma década de violência. Milhares de afegãos são assassinados a cada ano na insurgência.

“A segurança é a principal demanda de nosso povo, e estamos cansados dessa guerra”, disse Ghani. “Estou pedindo ao Taliban e ao Hezb-i-Islami que se preparem para negociações políticas.”

O Hezb-i-Islami é uma facção islamita relativamente aliada ao Taliban.

Ghani também prometeu reprimir a crescente corrupção e pediu pela cooperação interna no governo de coalizão.

“Um governo de unidade nacional não é sobre compartilhar poder, mas sobre trabalhar juntos”, disse Ghani em seu discurso de quase uma hora de duração.

Mas a frágil coalizão já demonstra sinais de tensão. Uma disputa por espaço no gabinete e sobre se Abdullah falaria durante a posse levou seu grupo a ameaçar um boicote à cerimônia, disse um assessor de Abdullah, acrescentando que a disputa foi resolvida após reuniões de última hora com o embaixador dos EUA.

A posse de Ghani marca o fim de uma era com a saída do presidente Hamid Karzai, líder dos afegãos desde que a invasão de 2001, liderada pelos EUA, derrubou o Taliban, que havia oferecido abrigo à Al Qaeda.

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