Países árabes apoiam coalizão
de Obama para combater
o Estado Islâmico

Por lyafichmann
Obama anunciou seu plano sobre o EI na quarta-feira | Saul Loeb/Reuters Obama anunciou seu plano sobre o EI na quarta-feira | Saul Loeb/Reuters

Um dia após o anúncio do presidente dos EUA sobre a estratégia para lidar com a ameaça do EI (Estado Islâmico), Washington obteve nesta quinta-feira a adesão de países árabes para o que Barack Obama chamou de uma “campanha militar coordenada” contra os combatentes, um grande avanço na conquista de apoio regional. O presidente disse na quarta-feira que pretende atuar nos dois lados da fronteira entre Síria e Iraque contra o EI.

Depois de conversas em Jidá, segunda maior cidade da Arábia Saudita, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, conquistou o endosso de dez países árabes para uma coalizão que enfrentará os militantes sunitas, que assumiram o controle de vastas porções de território iraquiano e sírio.

Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e seis Estados do Golfo Pérsico, incluindo os ricos rivais Arábia Saudita e Catar, declararam apoio à iniciativa de Washington. A Turquia, potência regional não-árabe, também participou das conversas. Mas dois poderosos países da região, o xiita Irã e a própria Síria, foram excluídos, um sinal da dificuldade de se formar uma coalizão que supere as divisões sectárias do Oriente Médio.

Papel crucial na coalizão

Em um comunicado conjunto, as nações árabes concordaram em fazer mais para deter o fluxo de fundos e combatentes para o EI e ajudar a reerguer as comunidades “brutalizadas” pelo grupo radical.

“Os Estados participantes concordaram em fazer a sua parte na luta abrangente contra o Estado Islâmico, inclusive, como é apropriado, unindo-se nos muitos aspectos de uma campanha militar coordenada contra o Estado Islâmico”, declararam.

Kerry afirmou que os países árabes irão desempenhar um papel crucial na coalizão, embora tenha acrescentado que nenhum país da aliança esteja cogitando o envio de tropas terrestres.

Autoridades dos EUA disseram que Kerry também buscou permissão para ampliar o uso das bases na região e sobrevoar seu espaço aéreo, temas que não foram mencionados no comunicado.

Cisão regional

Os sauditas, que apoiam outros grupos sunitas armados na Síria mas consideram o Estado Islâmico uma facção terrorista, ainda ofereceram campos de treinamento para combatentes sunitas sírios moderados.

Mas o Irã, principal potência xiita do Oriente Médio e apoiador do presidente sírio, Bashar al-Assad, disse ter sérias reservas à nova coalizão encabeçada pelos EUA, e duvidou que o grupo de países enfrente “as causas de fundo do terrorismo”, que atribui explicitamente a países árabes sunitas, como a Arábia Saudita.

Uma aliança irá implicar na cooperação entre países que se consideram inimigos. Washington apoia o governo xiita iraquiano recém-empossado, mas se opõe a Assad na Síria, e é aliado da maioria das nações árabes sunitas, mas hostil ao Irã.

Na TV

Kerry deverá exortar canais de TV regionais, especialmente a Al Jazeera, do Catar, e a saudita Al Arabiya, a veicular mensagens anti-extremismo. Ele quer que os governos regionais pressionem mesquitas a pregar contra o EI.

Síria e Rússia rechaçam iniciativa de Washington

A Síria e a Rússia criticaram nesta quinta a iniciativa dos EUA de liderar uma coalizão para atacar os militantes do EI (Estado Islâmico) no Oriente Médio, anunciada em um discurso na quarta-feira à noite pelo presidente Barack Obama. Moscou disse que, sem um aval da ONU (Organização das Nações Unidas), ataques aéreos na Síria seriam considerados atos de agressão. Em Damasco, um ministro do governo de Bashar al-Assad, que enfrenta uma guerra civil há três anos, adotou a mesma linha.

Ali Haidar, ministro sírio de Assuntos de Reconciliação Nacional, disse que qualquer intervenção estrangeira na Síria seria considerada um ato de agressão, a menos que seja aprovada por Damasco. “É preciso haver cooperação com a Síria e coordenação com a Síria, e deve haver uma aprovação síria de qualquer ação, seja militar ou não”, disse Haidar. O EI representa uma ameaça também a Assad.

A Síria tem alertado repetidamente que qualquer ação em seu território precisará de sua aprovação e vem dizendo que está disposta a trabalhar com qualquer país para enfrentar os combatentes do grupo sunita que capturou grandes áreas na Síria e no vizinho Iraque. “Qualquer ação de qualquer tipo sem a aprovação do governo sírio é uma agressão contra a Síria”, declarou Haidar.

Segundo ele, os países estrangeiros poderiam usar o EI simplesmente como um pretexto para atacar a Síria.

Rússia

Em Moscou, o porta-voz do Ministério russo de Relações Exteriores, Alexander Lukashevich, disse que a medida anunciada por Obama, “na falta de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU, seria um ato de agressão, uma grave violação da lei internacional”. A declaração de Lukashevich pode agravar ainda mais a relação entre Moscou e o Ocidente, já frágil em meio à crise na Ucrânia.

A Rússia, que é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e tem poder de veto, tem dado um apoio crucial a Assad na guerra civil do país, que já matou mais de 200 mil pessoas, segundo a ONU.

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