Obama anuncia plano ‘sem soldados’ contra Estado Islâmico

Por Tercio Braga

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira suas estratégias para lidar com o EI (Estado Islâmico), que voltou a chamar de “câncer”. Obama disse que os EUA poderão realizar ataques não apenas no Iraque, como já vem fazendo, mas também na Síria, país que está mergulhado há três anos em uma violenta guerra civil. Segundo ele, Washington vai liderar uma grande coalizão internacional “de amigos e aliados” que tem como objetivo “degradar e destruir o EI”.

“O EI se aproveitou do vácuo criado pela guerra civil na Síria para ampliar seu alcance”, disse. O presidente buscou, no discurso de 15 minutos, assegurar os cidadãos de que a operação contra o grupo terrorista não será como as guerras nas quais os EUA se envolveram no Oriente Médio.

“Quero que os americanos entendam que esse esforço será diferente das guerras no Iraque e no Afeganistão. Ele não envolverá tropas combatendo em solo estrangeiro”, disse Obama. “Essa campanha antiterrorismo será travada por meio de um esforço incansável e constante para eliminar o EI onde quer que ele exista, usando nosso poder aéreo e o apoio de forças aliadas em solo. Essa estratégia para erradicar terroristas que nos ameaçam, apoiando parceiros nas linhas de frente, é a mesma que temos aplicado com sucesso no Iêmen e na Somália há anos”.

Quatro pontos

‘Não há porto seguro para quem ameaça os EUA’, disse | Saul Loeb/Reuters ‘Não há porto seguro para quem ameaça os EUA’, disse Obama | Saul Loeb/Reuters

O plano foi apresentado em quatro pontos. O primeiro é uma “campanha sistemática” de ataques aéreos contra o EI “Não hesitarei em tomar medidas contra o EI na Síria”. Em seguida, Obama prometeu apoiar as forças iraquianas que lutam em solo “Não vamos ser arrastados para uma guerra terrestre no Iraque”.

O terceiro ponto envolve ações para minar o IE fora da zona de combate e evitar ataques. Finalmente, ao falar da Síria, o presidente prometeu fortalecer a oposição e buscar soluções políticas. “Na luta contra o EI, não podemos contar com um regime de Assad que aterroriza seu povo”.

Nem islâmico, nem Estado

“O IE não é islâmico. Nenhuma religião concorda com a matança de inocentes e a maior parte das vítimas do EI tem sido de muçulmanos”, disse. “E certamente não é um Estado”. Segundo o presidente, trata-se de um grupo terrorista. “É preciso entender que se você ameaça os EUA, você não vai encontrar nenhum porto seguro”, disse o presidente.

Carros-bomba matam 9 em bairro de Bagdá

Três carros-bomba explodiram ontem em um bairro xiita no leste de Bagdá, matando ao menos nove pessoas e ferindo outras 29. Os ataques ocorrem no mesmo dia em que o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, visita a capital iraquiana.

Na visita, Kerry expressou o apoio de Washington ao governo do novo premiê, Haider al-Abadi, na luta contra o EI (Estado Islâmico). Ele também buscou encorajar reformas políticas no país.

O secretário de Estado disse ter ficado impressionado com os planos de Abadi para reconstruir as forças armadas iraquianas e pôr em prática reformas políticas amplas. Kerry disse a Abadi que se sente “encorajado” por seus planos para “reconstituir” o setor militar.

‘Ajuda imediata’

A Casa Branca disse ontem que o presidente Obama autorizou o envio de US$ 25 milhões em “assistência militar imediata” para o governo iraquiano e para o governo regional do Curdistão. O objetivo, segundo nota, é auxiliar com educação e treinamento militar. 

O vídeo do discurso na íntegra, em inglês, você confere abaixo:

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