Soldados da União Africana são acusados de estuprar mulheres

A Amisom é financiada pela ONU, União Europeia, Estados Unidos e Inglaterra | Tobin Jones/AMISOM Photo/Handout via Reuters  A Amisom é financiada pela ONU, União Europeia, Estados Unidos e Inglaterra | Tobin Jones/AMISOM Photo/Handout via Reuters

Soldados da força da União Africana na Somália (Amisom), financiada, entre outros doadores internacionais, pela ONU, estupraram e trocaram ajuda humanitária por sexo em suas bases em Mogadíscio, capital somali, denunciou nesta segunda-feira em um relatório a ONG Human Rights Watch (HRW).

Segundo o relatório, “[os soldados] também estupraram e agrediram sexualmente mulheres que foram buscar ajuda médica ou água nas bases da Amisom”.

“Algumas das mulheres estupradas disseram que os soldados deram comida e dinheiro depois em uma tentativa aparente de fazer o abuso se passar por uma transação sexual”, segundo a mesma fonte.

A Amisom não reagiu até agora a estas acusações.

A força da União Africana conta com 22 mil soldados de seis nações (Uganda, Burundi, Quênia, Etiópia, Djibuti, Serra Leoa) e desde 2007 luta junto às tropas governamentais contra os insurgentes islamitas shebab, vinculados à Al-Qaeda.

Além da ONU, a União Europeia, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha são doadores da Amisom.

O relatório da HRW se baseia no testemunho de 21 mulheres e meninas que disseram ter sido estupradas ou sofrido abusos sexuais por parte de soldados de Uganda ou Burundi desde 2013. A menor delas, de 12 anos, indicou ter sido estuprada por um soldado ugandês.

O documento também cita o caso de uma mulher e uma adolescente de 15 anos, que foram respectivamente buscar comida e medicamentos em uma das bases, e foram entregues aos soldados por meio de um intérprete somali.

A primeira aceitou manter relações sexuais e a segunda foi estuprada. Cada uma recebeu depois 10 dólares.

A ONG também interrogou outras 30 pessoas, entre observadores estrangeiros, soldados e autoridades dos países membros da Amisom.

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