Sanções contra Rússia podem ser suspensas no caso de cessar-fogo

Por Carolina Santos
O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Philip Hammond | Luke MacGregor /Reuters O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Philip Hammond | Luke MacGregor /Reuters

As novas sanções econômicas previstas contra a Rússia poderão ser suspensas no caso de entrar em vigor um cessar-fogo na Ucrânia, declarou nesta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Philip Hammond, na Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Newport, no Reino Unido.

“O mais razoável é avançar no plano para impor novas sanções. Se depois houver um cessar-fogo, se ele for assinado e entrar em vigor, então poderemos considerar um levantamento das sanções”, disse Philip Hammond.

O ministro disse que existe “muito ceticismo” quanto à aplicação do cessar-fogo e adiantou: “Para já, não queremos ter distrações quanto à nossa determinação de impor novas sanções para responder à grande incursão de forças russas na Ucrânia.”

Os Estados Unidos estão preparando, em estreita coordenação com a União Europeia, novas sanções econômicas contra a Rússia para acentuar a pressão sobre Moscou.

Também ocorrem em Minsk, na Bielorússia, negociações pelo chamado grupo de contato – que reúne representantes da Rússia, da Ucrânia e dos rebeldes separatistas ucranianos – para um cessar-fogo no Leste da Ucrânia, palco de confrontos sangrentos nos últimos meses entre forças ucranianas e separatistas apoiados pela Rússia.

Conflito prossegue na Ucrânia, apesar de início de conversações de paz

Representantes do governo da Ucrânia, dos líderes separatistas, da Rússia e da agência europeia de segurança OSCE iniciaram negociações nesta sexta-feira a fim de resolver o conflito no leste ucraniano.

No entanto, os confrontos se intensificaram nesta sexta-feira entre forças ucranianas e rebeldes pró-Rússia a leste do estratégico porto de Mariupol, no sudeste da Ucrânia. Disparos de artilharia também eram ouvidos em Donetsk, o principal reduto dos separatistas, nas imediações do aeroporto da cidade, que permanece sob controle do governo.

A Ucrânia diz que suas forças estão tentando repelir uma grande ofensiva dos rebeldes para tomar Mariupol, cidade de 500.000 habitantes e porto estratégico no Mar de Azov, crucial para as exportações de aço da Ucrânia. Os rebeldes disseram que suas forças já estavam dentro de Mariupol, mas os militares ucranianos negaram essa informação.

Conversações

A maioria dos participantes das negociações não quis falar com repórteres ao chegar para as conversas em Minsk, capital de Belarus, mas o ex-presidente ucraniano Leonid Kuchma disse: “Todos viemos por paz, essa é a coisa mais importante – achar uma trégua.”

O presidente Petro Poroshenko disse na quinta-feira que anunciaria um cessar-fogo se as conversas acontecessem, mas tal anúncio ainda não ocorreu.

O conflito começou no leste da Ucrânia em meados de abril. Mais de 2.600 pessoas foram mortas em uma crise que provocou o maior período de tensão nas relações entre a Rússia e o Ocidente desde o fim da guerra fria.

Um cessar-fogo acordado em junho foi encerrado após 10 dias porque os combates não pararam, mas autoridades tinham esperança de que qualquer novo acordo pudesse levar a medidas para garantir uma paz duradoura, depois que o presidente russo, Vladimir Putin, e Poroshenko apoiassem a proposta.

Os dois líderes conversaram nesta semana por telefone e Poroshenko disse que ambos tinham chegado a um acordo sobre um cessar-fogo – uma mudança de posição por parte de Poroshenko, cujas tropas têm sido rechaçadas pelos rebeldes, que, segundo o Ocidente, são apoiados pela Rússia. Moscou nega armar os rebeldes ou enviar tropas russas.

Putin também ofereceu um plano de paz de sete pontos que deixaria os rebeldes em controle do território equivalente a 10 por cento da população da Ucrânia e uma parcela ainda maior da indústria.

Os rebeldes dizem que concordariam com o cessar-fogo para permitir um corredor humanitário para refugiados e entrega de ajuda. A trégua seria monitorada por observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

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