Entidade diz que mundo perde a guerra contra ebola

Por Carolina Santos
Paciente com ebola escapou de hospital na Libéria | Reuters Paciente com ebola escapou de hospital na Libéria | Reuters

Em um apelo enfático, a chefe da organização humanitária MSF (Médicos Sem Fronteiras), Joanne Liu, disse nesta terça-feira em Nova York que os líderes mundiais devem enviar “imediatamente” equipes médicas civis e militares para combater o maior surto de ebola da história na África ocidental.

Liu disse que, seis meses após o início da epidemia, o mundo está “perdendo a batalha para conter o ebola”. Ela acusou líderes mundiais de “falhar no enfrentamento a essa ameaça transnacional” e disse que eles “essencialmente entraram numa coalizão global de inatividade”, apesar do anúncio da OMS (Organização Mundial da Saúde) em 8 de agosto de que a epidemia representava uma “emergência internacional de saúde pública”.

Segundo a ativista, a resposta internacional até o momento tem se concentrado em ministérios sobrecarregados e em ONGs (organizações não-governamentais) para enfrentar o surto excepcionalmente grande da doença. Liu fez o apelo na ONU diante de Estados membros. O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, disse na segunda-feira que a resposta à doença é “desastrosamente inadequada”.

Mapa de ação

Na semana passada a OMS estabeleceu um “mapa” para combater o surto. O vírus, que se espalha por meio do contato direto com fluídos corporais de pessoas contaminadas, pode atingir até 20 mil pessoas e custar US$ 490 milhões para ser controlado pelos próximos seis meses, segundo a agência.

Segundo a MSF, qualquer equipamento ou pessoal militar enviados à região atingida pelo ebola não devem ser usados para quarentena, contenção ou medidas de controle de população, mas para conter a disseminação do vírus.

A organização fez um apelo pela ampliação de hospitais de campanha com áreas de isolamento e para que sejam enviados laboratórios móveis para melhorar o diagnóstico. A MSF disse ainda que devem ser criadas pontes-aéreas para estabelecer a movimentação de pessoas e material para dentro e fora da África.

Surto no Congo já matou 31, diz ministro

Subiu para 31 o número de mortos por um surto separado do ebola, na região de Djera, no norte da República Democrática do Congo. A informação foi dada ontem à agência de notícias Reuters pelo ministro da Saúde do país, Felix Kabange Numbi.

O governo informou que 13 pessoas haviam morrido. Também nesta terça, a OMS (Organização Mundial da Saúde) disse que o surto na província congolesa de Equateur não tem relação com a epidemia da África Ocidental, confirmando a tese de cientistas. Segundo a entidade, o surto é um “evento distinto e independente”.

De acordo com a OMS, o número total de casos chega a 53, mas funcionários estão investigando outros 160 pessoas que teriam mantido contato com os infectados.

Sete surtos

Desde que o vírus foi descoberto no país, em 1976, houve um total de sete surtos da doença no Congo. A primeira vítima da epidemia atual foi uma mulher grávida, que morreu em meados de agosto depois de matar um animal selvagem.

Paciente infectado por ebola foge de clínica na Libéria

Mais um médico americano que trabalhava como voluntário na Libéria contraiu o vírus ebola. Na capital do país, um paciente infectado fugiu do isolamento, em busca de comida. E foi achado no meio de uma feira.

Narração de Ticiana Villas Boas

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