Putin acusa Europa de ignorar ação militar de Kiev

Por Carolina Santos
Putin apelou várias vezes a Kiev e aos separatistas para iniciar negociações para acabar com o conflito | Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin/Reuters Putin apelou várias vezes a Kiev e aos separatistas para iniciar negociações para acabar com o conflito | Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin/Reuters

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou nesta segunda-feira os europeus de fechar os olhos para as ações militares das forças ucranianas contra áreas civis no leste da ex-república soviética.

“O exército ucraniano ataca diretamente bairros habitados”, disse Putin em um discurso exibido na televisão. “E, infelizmente, muitos países, inclusive na Europa, preferem ignorar”, denunciou.

O presidente russo apelou várias vezes a Kiev e aos separatistas pró-Moscou do leste da Ucrânia para que iniciem negociações “substanciais” com o objetivo de acabar com o conflito, que começou em abril.

Representantes de Kiev, Moscou e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) se reúnem nesta segunda-feira em Minsk para um encontro do Grupo de Contato, mas não foi possível confirmar a presença dos separatistas.

“Agora, na minha opinião, está começando um processo muito importante, o processo de conversações diretas”, disse Putin, sem apresentar detalhes.

A reunião do Grupo de Contato sobre a Ucrânia deveria abordar o início de um cessar-fogo imediato e incondicional no país, afirmou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

“Confio muito nas negociações previstas para hoje, centradas antes de mais nada na forma de obter um cessar-fogo imediato e incondicional”, disse Lavrov. O ministro também descartou uma intervenção militar russa na Ucrânia.

“Somos favoráveis a uma solução exclusivamente pacífica desta grave crise, desta tragédia”, afirmou.
Presidente da Ucrânia acusa Rússia de ‘agressão direta e aberta’

O presidente ucraniano, Petro Porochenko, acusou a Rússia de agressão direta | Olivier Hoslet/Reuters O presidente ucraniano, Petro Porochenko, acusou a Rússia de agressão direta | Olivier Hoslet/Reuters

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko acusou a Rússia nesta segunda-feira de “agressão direta e aberta” e disse que essa interferência mudou radicalmente o equilíbrio no campo de batalha, já que as forças do governo vêm sofrendo grandes reveses na guerra contra separatistas pró-Rússia.

Militares da Ucrânia disseram que suas forças tinham recebido ordens para recuar da área de um aeroporto vital no leste do país, perto da cidade de Luhansk, onde estavam lutando contra um batalhão de tanques russos.

Poroshenko afirmou em um discurso que haveria mudanças no alto escalão das forças armadas ucranianas, cujas tropas fugiram de um novo avanço dos rebeldes no sul, que os aliados ocidentais de Kiev dizem ter o apoio de colunas de blindados russas.

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu no domingo negociações imediatas sobre a “soberania” do sul e leste da Ucrânia, e culpou o governo em Kiev por se recusar a entrar em conversações políticas diretas com os separatistas.

Putin também disse esperar que o “senso comum” vá prevalecer no Ocidente sobre a possibilidade de impor sanções econômicas adicionais à Rússia, apesar das negativas de Moscou de que esteja ajudando os rebeldes.

Até a semana passada a o governo da Ucrânia parecia prestes a esmagar a rebelião de quatro meses, no leste, iniciada depois que o ex-presidente do país, que era pró-Moscou, foi deposto por protestos populares. Mas, então, os rebeldes abriram uma nova frente para o sul, na costa do Mar de Azov, seguindo na direção da cidade de Mariupol.

Poroshenko repetiu a crença de Kiev que as forças russas estão ajudando os rebeldes para virar a maré da guerra.

“Uma agressão direta e aberta foi lançado contra a Ucrânia, a partir de um Estado vizinho. Isso mudou a situação na zona de conflito de uma maneira radical”, disse ele em seu discurso em uma academia militar em Kiev.

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