Ao menos 1.420 morreram em agosto no Iraque, diz ONU

Por Carolina Santos
Violência já matou mais de mil em agosto | Youssef Boudlal/Reuters Violência já matou mais de mil em agosto | Youssef Boudlal/Reuters

Ao menos 1.420 pessoas foram mortas no Iraque em agosto, disse a ONU nesta segunda-feira, enquanto a violência sectária se espalhava pelo centro e o norte do país.

Outro 1.370 iraquianos ficaram feridos e 600 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, acrescentou a ONU, à medida que os militantes do Estado Islâmico, grupo que assumiu o controle de grandes áreas do território desde junho, avança em direção à regiões controladas por tropas curdas e persegue minorias religiosas.

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“Milhares continuam a ser alvejadas e mortas pelo EIIL (Estado Islâmico) e grupos armados associados simplesmente por causa de sua origem étnica ou religiosa… As verdadeiras consequências dessa tragédia humana são assombrosas”, disse o representante da ONU no Iraque, Nickolay Mladenov.

A ONU afirmou que o número de vítimas pode ser muito maior, mas que não foi capaz de verificar de maneira independente relatos sobre centenas de incidentes em áreas sob jugo do Estado Islâmico.

A violência matou 1.737 pessoas, a maior parte civis, no Iraque em julho, e 2.400 em junho, mostraram dados da ONU.

Ambos os lados são culpados por atrocidades

Combatentes islâmicos cometeram atrocidades em “uma escala inimaginável” durante os meses de conflito com as forças do Iraque, que também mataram detentos e bombardearam áreas ocupadas por civis, disse um representante da ONU em uma reunião de emergência sobre o conflito, nesta segunda-feira.

O ministro de Direitos Humanos do Iraque, Mohammed Shia’ Al Sudani, disse na reunião que os militantes do Estado Islâmico espalhavam a barbárie e representavam uma ameaça a seu país e ao mundo, mas não respondeu imediatamente às denúncias contra as tropas do Estado.

O Estado Islâmico assumiu o controle de grandes áreas do Iraque e da vizinha Síria, declarando um califado e levando centenas de milhares a fugirem.

A sessão de um dia da ONU, convocada pelo Iraque com o apoio de aliados, incluindo os Estados Unidos, deve aprovar o pedido de Bagdá pelo envio de uma equipe de especialistas da ONU para investigar crimes de guerra cometidos durante o conflito.

Há “fortes evidências” de que o Estado Islâmico e grupo aliados têm conduzido assassinatos seletivos, conversões forçadas, abusos sexuais e torturas no Iraque, disse a vice-comissária para Direitos Humanos, Flavia Pansieri, durante a abertura dos debates em Genebra.

“Os relatórios que nós recebemos revelam atos desumanos em uma escala inimaginável”, disse ela ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, na primeira reunião dedicada a debater o último surto de violência no país. Ela depois disse à Reuters que se referia aos atos do Estado Islâmico.

As forças do governo iraquiano e a polícia também cometeram atos que podem vir a ser crimes de guerra, disse Pansieri.

“Ataque sistemáticos e intencionais contra civis podem representar crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Indivíduos, incluindo comandantes, são responsáveis por esses atos”, disse Pansieri, referindo-se aos crimes cometidos por ambos os lados.

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