ONU acusa Estado Islâmico e Síria de crimes de guerra

Por lyafichmann
O brasileiro Paulo Sergio Pinheiro, que lidera o painel | Pierre Albouy/Reuters O brasileiro Paulo Sergio Pinheiro, que lidera o painel | Pierre Albouy/Reuters

Um painel da ONU liderado pelo brasileiro Paulo Sergio Pinheiro acusou nesta quarta-feira os insurgentes do Isis (Estado Islâmico) de cometer crimes de guerra, incluindo amputações e execuções públicas, às vezes na presença de crianças. O comitê disse ainda acreditar que a Síria usou gás cloro contra rebeldes.

Em seu relatório mais recente, o painel afirma que os militantes sunitas, que estão buscando armas no Iraque, alteraram o equilíbrio de poder na Síria, consolidando seu controle sobre grandes áreas e estabelecendo a ordem pela imposição severa da “sharia”, a lei islâmica. “Execuções em espaços públicos se tornaram um acontecimento comum às sextas-feiras em Al Raqqa e em áreas controladas pelo Isis na província (síria) de Aleppo”, diz o painel.

“Crianças têm assistido às execuções, ocorridas na forma de decapitações ou de tiros à queima roupa na cabeça, os corpos são expostos publicamente”, destaca o texto. “Estamos preocupados com a presença destas crianças”, disse Pinheiro em Genebra. “O Isis representa um perigo real e imediato aos civis, especialmente a minorias sob seu controle na região.”

O documento, o oitavo desde que a comissão foi constituída, há três anos, foi com base em 480 entrevistas e provas documentais coletadas pela equipe. Os investigadores reiteraram seu apelo para que o Conselho de Segurança da ONU encaminhe as violações na Síria ao promotor do TPI (Tribunal Penal Internacional).

Segundo eles, forças do governo sírio soltaram bombas de barril (recipientes repletos de explosivos e estilhaços) em áreas civis em oito ocasiões em abril, um crime de guerra pelas leis internacionais, incluindo algumas que se acredita que continham o venenoso gás cloro.

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