Interpol condena execução de jornalista americano

Por Tercio Braga
Homem encapuzado falava inglês com sotaque britânico | Reprodução Homem encapuzado falava inglês com sotaque britânico | Reprodução

A Interpol condenou, nesta quinta-feira, a execução do jornalista americano James Foley sequestrado na Síria em 2012 pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI), e pediu uma resposta multilateral contra a ameaça jihadista no Oriente Médio.

“O assassinato bárbaro de James Foley pelos jihadistas do Estado Islâmico deixa patente a magnitude da depravação em sua campanha de terror na Síria e no Iraque”, afirma em um comunicado Ronald Noble, secretário-geral da organização policial internacional com sede em Lyon, centro da França.

Ele também enfatizou “a necessidade de uma resposta multilateral contra a ameaça do terror de combatentes radicalizados transnacionais que se deslocam nas zonas de conflito no Oriente Médio”.

O caso

O EI divulgou na terça-feira um vídeo que mostraria a morte do jornalista americano James Foley, em represália pelos ataques aéreos dos Estados Unidos contra forças jihadistas no norte do Iraque.

No vídeo publicado na internet, o EI mostra um homem de capuz vestido de negro que parece cortar a garganta do jornalista. Foley foi sequestrado em novembro passado na Síria. O carrasco, que fala em inglês britânico, realiza a execução no deserto, mas não é possível determinar se no Iraque ou na Síria.

Na gravação de cinco minutos, divulgada por fontes do Estado Islâmico, o grupo declara que Foley foi executado devido à decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de ordenar ataques aéreos contra posições do grupo jihadista no norte do Iraque.

Obama prometeu que o país fará o que for preciso para proteger os norte-americanos | Kevin Lamarque/Reuters Obama prometeu que o país fará o que for preciso para proteger os norte-americanos | Kevin Lamarque/Reuters

Obama diz que Estado Islâmico é ‘câncer’ e ‘covarde’ 

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quarta-feira que o Isis (Estado Islâmico) é um “câncer” e prometeu que o país fará o que for preciso para proteger seu povo. As declarações foram feitas um dia após a divulgação, pelo grupo, de um vídeo em que um jornalista norte-americano é decapitado.

Nesta quarta, o FBI confirmou a autenticidade das imagens, divulgadas como um alerta aos EUA. “Está claro que um grupo como o Isis não tem lugar  no século 21”, disse. Ele chamou o grupo de “covarde”. “Esse ato de violência chocou a consciência do mundo todo. O Isis é um câncer”.

Em clara resposta à fala do terrorista no vídeo, que mencionava a “aceitação” do Isis por muçulmanos, Obama disse que o grupo não representa religião alguma. “Nenhuma fé ensina pessoas a massacrar inocentes”.

Pouco depois do discurso de Obama, o Pentágono afirmou que caças dos EUA conduziram 14 ataques aéreos nas redondezas da represa de Mosul, no Iraque, destruindo ou danificando veículos, caminhões e explosivos que seriam do Isis.

‘Temos de derrotá-los’

O senador republicano John McCain pediu ontem um “aumento dramático” nos ataques aéreos dos EUA contra alvos do Isis no Iraque e disse que os ataques devem se estender também à Síria.

Segundo McCain, a decapitação de Foley deveria ser a gota d’água para as deliberações de Obama sobre como lidar com o grupo. “Em primeiro lugar, você tem de aumentar dramaticamente os ataques aéreos, que devem ser direcionados também à Síria”, disse. “Temos de derrotá-los, não detê-los”.

‘Ameaça ao mundo’

Ontem o chanceler iraquiano, Hoshiyar Zebari, fez um apelo à comunidade internacional contra os militantes.

Segundo ele, o Isis é uma “ameaça ao mundo”, não apenas a minorias étnicas cujos membros foram mortos nos avanços do grupo pelo norte do país. 

Cameron se diz ‘profundamente chocado’

O premiê britânico, David Cameron, disse ontem estar chocado com o “provável” envolvimento de um cidadão britânico no vídeo que mostra um jornalista norte-americano sendo decapitado por militantes do Isis (Estado Islâmico). Segundo Cameron, que interrompeu as férias ontem e voltou para Londres para lidar com a situação, o homem ainda não foi identificado.

“Nós não identificamos a pessoa responsável no vídeo, mas pelo que vimos, parece cada vez mais provável que seja um cidadão britânico. Isso é profundamente chocante”, afirmou. Cameron chamou a morte do jornalista de ato “bárbaro e brutal”.

O homem, que aparece no vídeo encapuzado e vestindo roupas pretas, faz uma ameaça direta ao presidente dos EUA, Barack Obama, em inglês britânico. Londres e Washington tentam identificar o terrorista.

Outra guerra

O premiê, entretanto, descartou o envio de soldados britânicos para reforçar o envolvimento militar do país no Iraque, que até agora tem se focado no fornecimento de suprimentos para as forças curdas que lutam contra os militantes do Isis e no uso de jatos para vigilância.

“Tenho sido muito claro sobre este país não se envolver em outra guerra no Iraque”, disse. “Nós não vamos colocar tropas de combate no terreno, isso não é algo que devemos fazer. Nós temos uma estratégia clara, devemos nos ater a essa estratégia”.  METRO

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