Israel diz que três foguetes foram lançados da Faixa de Gaza

Por Carolina Santos
Foguetes teriam sido lançados da Faixa de Gaza |  Ibraheem Abu Mustafa/Reuters Foguetes teriam sido lançados da Faixa de Gaza | Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

O cessar-fogo entre o Hamas e o Exército israelense foi quebrado nesta terça-feira (19) com disparos de foguetes contra Israel e ataques aéreos na Faixa de Gaza, retomando uma guerra que volta a assolar região.

De acordo com os serviços de emergência locais em Gaza, dois palestinos, uma mulher e uma criança, morreram e mais de 20 pessoas ficaram feridas em ataques aéreos israelenses efetuados em resposta aos disparos de foguetes feitos a partir de Gaza antes mesmo do fim de um cessar-fogo que vinha sendo respeitado desde o dia 11 de agosto e que expirava às 21h GMT (19h de Brasília).

Durante a noite, o braço armado do movimento Hamas, que controla Gaza revindicou vários disparos de foguetes em direção a Israel, incluindo um que atingiu Tel Aviv e outro em direção a Jerusalém, as duas principais cidades israelenses. De acordo com o Exército, ninguém ficou ferido.

A quebra do cessar-fogo interrompeu as negociações no Cairo entre israelenses e palestinos que tinham por objetivo transformar essa pausa em uma trégua prolongada. Os representantes israelenses foram chamados de volta pelo seu governo, sem perspectiva alguma de retorno às discussões.

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As negociações antes da retomada dos disparos não registraram progresso e “as chances de chegar a um acordo se evaporam”, havia indicado no Twitter Ezzat El-Rishq, um líder do Hamas, principal alvo da ofensiva lançada por Israel em 8 de julho.

Os moradores de Gaza, duramente afetados por um mês de combates, voltaram a fugir aos milhares das áreas mais expostas.

Centenas de pessoas com grandes bolsas e colchões deixaram Chajaya para se abrigar em escolas da ONU transformadas em abrigos.

“Ouvimos notícias de que a trégua tinha acabado. Vou para a casa dos meus pais no centro. Meus filhos ficaram aterrorizados quando ouviram que a guerra ia ser retomada”, disse Raghda al-Muqqa, mãe de três filhos, enquanto começavam a se preparar para deixar o norte de Gaza.

Washington “muito preocupado”

A ofensiva aérea e terrestre israelense que devastou a Faixa de Gaza matou mais de 2.000 palestinos e feriu cerca de 10.000. Do lado israelense, 64 soldados morreram, assim como três civis.

Os Estados Unidos manifestaram preocupação com o “rompimento do cessar-fogo”, considerando o Hamas “responsável” pelos disparos de foguetes e considerando que Israel tem o direito de se defender.

O Hamas negou ter atacado primeiro e ameaçou Israel. Ezzat al-Rishq, um dos líderes do grupo, afirmou que “Israel não estará em segurança enquanto o povo palestino não estiver”.

“O cessar-fogo está morto e Israel é responsável”, disse, pouco depois, Azzam al-Ahmed, chefe da delegação palestina que participa das negociações indiretas com Israel.

“O processo do Cairo é baseado na precondição de um respeito total ao cessar-fogo”, explicou uma autoridade israelense. “Se o Hamas começar a disparar foguetes, o processo do Cairo está fadado ao fracasso”.

As novas hostilidades foram desencadeadas pelos disparos de foguetes palestinos durante a tarde, em plena trégua, aos quais o Exército respondeu com ataques aéreos ordenados por Netanyahu.

Dos foguetes disparados contra Israel, seis caíram em áreas vazias, um em Tel Aviv e dois foram interceptados pelo sistema de defesa anti-mísseis, de acordo com o Exército. Não houve vítimas.

Quanto ao foguete disparado contra Jerusalém, o porta-voz da Polícia, Micky Rosenfeld, disse à AFP que não tinha informações sobre um foguete que teria caído na cidade e que um pode ter sido interceptado fora da zona urbana.

Uma série de ataques israelenses atingiram a Faixa de Gaza, incluindo um que atingiu uma casa durante a noite, matando uma mulher e uma criança, ferindo outras 16 pessoas, provavelmente da mesma família, de acordo com as equipes de socorro palestinos.

“Sabotar as negociações”

Na segunda-feira à noite, israelenses e palestinos haviam chegado a um acordo de última hora para prolongar a trégua por 24 horas, até esta terça-feira à meia-noite (19h00 de Brasília). E nada indicava que as discussões pudessem levar a um acordo duradouro entre as partes, com exigências aparentemente inconciliáveis.

Sem um acordo, o temor é grande em ver novos combates em alguns meses em um território que já está em sua terceira guerra em seis anos.

Os palestinos -representados no Cairo por uma delegação composta por representantes do Hamas, da Jihad Islâmica e da Organização pela Libertação da Palestina (OLP) à qual pertence a Autoridade Palestina- afirmaram em diversas oportunidades que não assinariam um acordo que não estabelecesse uma retirada do bloqueio israelense de Gaza.

Já os israelenses fazem da desmilitarização do enclave uma condição indispensável.

O Egito apresentou aos protagonistas uma proposta em que ambas as partes se comprometeriam a interromper os combates e que prevê a reabertura dos postos de passagem na fronteira. Esta é uma reivindicação da Autoridade Palestina, expulsa de Gaza pelo Hamas em 2007. O tema mais complicado é o das aberturas de um porto e de um aeroporto, às quais Israel de opõe. Essa questão ia ser deixada para depois.

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