Papa Francisco pede que Coreias superem divergências

Por Nadia
| Kim Hong-Ji/Reuters Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, e o papa Francisco durante a cerimônia de boas vindas | Kim Hong-Ji/Reuters

O papa Francisco pediu nesta quinta-feira, em Seul, que as duas Coreias ultrapassem “as recriminações” e deixem de recorrer ao “destacamento de forças”, considerando que a paz só pode ser alcançada por meio do diálogo e do perdão.

Perante a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, e diferentes autoridades do país, Francisco, que falou pela primeira vez, em âmbito oficial, em inglês, saudou “os esforços desenvolvidos em favor da reconciliação e da estabilidade na península coreana (…), pois eles constituem o único caminho para uma paz duradoura”.

“A diplomacia, enquanto arte do possível, baseia-se na firme e perseverante convicção de que a paz pode ser alcançada pela audição tranquila e o diálogo, mais do que pelas recriminações mútuas, as críticas estéreis e o destacamento de forças”, afirmou o papa argentino, numa referência indireta ao regime norte-coreano.

A presidenta Park Geun-hye, que recebia o papa na Casa Azul, residência oficial da chefe de Estado sul-coreana, lembrou que mais de 70 mil famílias continuam separadas desde a divisão da península no final da Guerra da Coreia (1950-1953).

“Queremos realizar a reunificação”, declarou a presidente, sublinhando que “a Coreia do Norte deve renunciar ao programa nuclear”. Pyongyang mantém o argumento de que o programa nuclear destina-se a fins civis, mas Seul e Washington suspeitam que o regime pretende se armar com mísseis balísticos armados com ogivas nucleares.

“Apesar das provas, o calor do dia e a obscuridade da noite deixaram sempre nascer a manhã calma, quer dizer, uma esperança tenaz na justiça, paz e unidade”, disse o papa. Jorge Bergoglio apelou para que as injustiças sejam ultrapassadas “pelo padrão, tolerância e cooperação”.

A visita do papa à Coreia do Sul termina na próxima segunda-feira (18).

A visita à Coreia do Sul

O papa Francisco inicia nesta quinta-feira a visita de cinco dias à Coreia do Sul. É primeira viagem de Francisco à Ásia, marcada para coincidir com a 6ª Jornada Asiática da Juventude, que ocorre entre os dias 13 e 17 em Daejeon, a 150 quilômetros de Seul.

Durante a visita, o papa celebrará missa de beatificação de 124 mártires coreanos, assassinados “por ódio à fé” entre 1791 e 1888.

A viagem é uma prioridade do Vaticano, já que Francisco quer apoiar as igrejas minoritárias, mas dinâmicas na Ásia.

A aproximação com a China comunista era uma prioridade de Bento XVI, e é agora de Francisco, após décadas de perseguição dos cristãos sob Mao Tsé-tung. Apesar de não ter sido registrado qualquer progresso, agora, pela primeira vez, um papa foi autorizado a sobrevoar a China.

O deslocamento de Francisco representa uma mensagem para o “futuro da Ásia”, disse o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano.

Em entrevista ao Centro Televisivo do Vaticano, o cardeal, responsável pela diplomacia, destacou que “esta visita do papa ao Extremo Oriente tem especial importância”, dado o papel da região “na política e na economia mundiais”.

Ao ir ao encontro dos jovens asiáticos reunidos para a 6ª Jornada Asiática da Juventude, é “ao futuro da Ásia” que o papa quer falar, disse Parolin na entrevista.

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