Premiê iraquiano se recusa a deixar o poder e tensão cresce

Por lyafichmann
Protesto em favor de Maliki em Bagdá | Ahmed Saad/Reuters Protesto em favor de Maliki em Bagdá | Ahmed Saad/Reuters

O presidente do Iraque, Fouad Masoum, nomeou nesta segunda-feira um novo primeiro-ministro para tentar acabar com os oito anos de governo de Nuri al-Maliki e acalmar a cisão étnica no país, mas o líder veterano se recusou a deixar o cargo e mobilizou milícias e forças especiais nas ruas, criando um perigoso duelo político em Bagdá.

A nomeação de Haidar al-Abadi, ex-tenente de Maliki, foi elogiada pelos EUA, que apoiaram o atual premiê depois da invasão em 2003, que derrubou Saddam Hussein. Washington enviou a Maliki um recado severo, sugerindo que ele não “agite as águas” ao usar a força para preservar o cargo.

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Em Bagdá, entretanto, o partido de Maliki chamou a substituição de ilegal. O genro do premiê, Hussein al-Maliki, disse que ele irá reverter a decisão nos tribunais. “A nomeação é ilegal e inconstitucional. Iremos contestar no tribunal federal”, disse. O premiê disse que a nomeação era uma “violação perigosa” da Constituição.

Revolta

Muçulmano xiita, Nuri al-Maliki é acusado de alienar os sunitas e de incitar uma revolta que ameaça destruir o país. Líderes sunitas e curdos do Iraque exigiram sua saída e até muitos xiitas se voltaram contra ele.

Opositores do premiê o acusam de abusar do sistema mantendo cargos de segurança sob seu controle em vez de compartilhar as posições com outros grupos étnicos do país, alienando especialmente os sunitas ao ordenar a prisão de seus líderes políticos.

O Estado Islâmico, grupo sunita radical dissidente da Al-Qaeda, tem explorado esse ressentimento para obter o apoio de outros grupos armados sunitas. No fim de semana o governo iraquiano disse que o grupo matou 500 integrantes de uma minoria étnica do país e levou dezenas de mulheres como escravas. O grupo obteve novos ganhos sobre forças curdas.

Governo

Em um discurso em curdo na TV, Masoum pediu a Abadi que forme um governo que “conquiste o apoio de todos os grupos” do Parlamento eleito em abril ao longo do próximo mês.

Enquanto policiais e forças armadas de elite, muitas equipadas e treinadas pelos EUA, fechavam ruas de Bagdá mobilizadas por Maliki, o secretário de Estado John Kerry pediu que ele não lute para manter-se no poder.

“Não deve haver uso de força, tropas ou milícias neste momento de democracia no Iraque”, declarou Kerry. “O processo de formação do governo é crucial para a manutenção da estabilidade e da calma no país, e temos esperança de que Maliki não irá agitar as águas”.

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