Costa do Marfim suspende voos para países afetados pelo Ebola

Por Carolina Santos
Mais de 1.800 pessoas foram infectadas pelo Ebola e mais de 900 morreram | Tommy Trenchard/Reuters Mais de 1.800 pessoas foram infectadas pelo Ebola e mais de 900 morreram | Tommy Trenchard/Reuters

A Costa do Marfim anunciou nesta segunda-feira a suspensão dos voos de sua companhia aérea para países afetados pela epidemia de ebola e proibiu todas as empresas de transportar passageiros desses países para Abidjan.

Leia mais:

Rio de Janeiro tem plano de contingência para vírus Ebola

O governo decidiu “suspender até nova ordem os voos da Air Côte d’Ivoire com destino e provenientes de países afetados pela epidemia de ebola”, diz comunicado divulgado nesta segunda.

Segundo a nota, as autoridades costa-marfinenses também proibiram as outras companhias de transportar ao país passageiros de áreas atingidas pela doença.

A Costa do Marfim, vizinha da Libéria e da Guiné-Conacri, onde a epidemia já fez centenas de mortos, apresenta nível de alerta muito elevado, de acordo com as autoridades sanitárias.

O país adotou várias medidas sanitárias suplementares, insistindo especialmente na vigilância comunitária, desde que a epidemia de febre hemorrágica registrou recrudescimento na área da África Ocidental. Além da Guiné-Conacri e da Libéria, Serra Leoa e a Nigéria também foram atingidas.

Desde o início do ano, mais de 960 pessoas morreram. Foram cerca de 1.800 casos confirmados, prováveis ou suspeitos da doença.

O governo da Costa do Marfim decidiu ainda reforçar a vigilância no aeroporto de Abidjan, onde “todos os passageiros, à chegada, serão submetidos a uma medição da temperatura”. Um dispositivo para a lavagem de mãos será montado no local.

Em meados de junho, Abidjan lamentou “a diminuição da vigilância” sobre a doença. Nenhum caso foi notificado no país que, no fim de março, tomou várias medidas para evitar qualquer contaminação.

Diante do agravamento da situação, as medidas de precaução multiplicaram-se na África e no mundo, principalmente para evitar a propagação do vírus em viagens aéreas.

As companhias pan-africanas Arik e ASKY já tinham suspendido os voos de e para a Libéria e Serra Leoa, após a morte de um passageiro liberiano, no fim de julho, em Lagos, na Nigéria.

A companhia Emirates, com sede em Dubai, também anunciou a suspensão “até nova ordem” de todos os voos para a Guiné-Conacri.

Sobe para 10 o número de casos na Nigéria

O ministro da Saúde da Nigéria, Onyebuchi Chukwu, disse nesta segunda-feira que Lagos, a maior cidade do país, tem dez casos confirmados do vírus ebola. Duas pessoas morreram em função da doença, incluindo Patrick Sawyer, um liberiano infectado antes de viajar para a Nigéria.

Segundo o ministro, todos os casos são de pessoas infectadas após ter algum contato direto com Sawyer, que desmaiou ao chegar ao aeroporto de Lagos, no dia 25 de julho, e depois morreu.

Nesta segunda, um grupo norte-americano cristão que enviou missionários à Libéria disse que três voluntários da entidade, entre eles o marido de uma pessoa infectada pelo ebola que está em isolamento em Atlanta, seriam colocados em quarentena para evitar que a doença se alastre. Eles estão sendo tratados na Carolina do Norte.

O fato de três estrangeiros contaminados no oeste da África – dois dos EUA e um da Espanha – estarem recebendo tratamento com ZMapp, um medicamento ainda em testes, tem levantado uma discussão ética. Até esta segunda, nenhum dos mais de 1,7 mil infectados em quatro países da região teve acesso ao remédio.

“Não há razão para experimentar esse remédio em doentes brancos e ignorar (pacientes) negros”, disse à AP Marcel Guilavogui, farmacêutico de Conakry, na Guinea. “Entendemos que é um medicamento que está sendo testado pela primeira vez e que pode ter efeitos colaterais, mas temos que usá-los em negros, também”.

A eficácia do ZMapp ainda é desconhecida e não se sabe ainda se o remédio é seguro. Outra questão é que poderia levar meses para produzir uma grande quantidade, segundo especialistas.

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo