Libéria declara estado de emergência por Ebola

Por Nadia
Imagem mostra morfologia do vírus | Cynthia Goldsmith/CDC/Handout via Reuters/Reuters Imagem mostra morfologia do vírus | Cynthia Goldsmith/CDC/Handout via Reuters/Reuters

A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, decretou na madrugada desta quinta-feira o estado de emergência no país, diante de uma epidemia do vírus Ebola que “exige medidas extraordinárias para a sobrevivência do Estado”.

Em um discurso à Nação, a presidente recordou as medidas adotadas há duas semanas na Libéria para deter o contágio, incluindo a licença obrigatória de 30 dias para funcionários não-essenciais, o fechamento das escolas e a desinfeção dos locais públicos, “e apesar de tudo a ameaça segue aumentando”.

“A ignorância, a pobreza e as práticas culturais e religiosas seguem exacerbando a propagação da doença, em particular nas províncias”, destacou Sirleaf, se referindo especialmente aos contatos com os defuntos nos rituais funerários.

“A magnitude e a escala da epidemia e a virulência do Ebola superam agora as capacidades e prerrogativas de qualquer agência governamental ou ministério”, advertiu a presidente liberiana.

“O vírus Ebola e as consequências da doença constituem agora um transtorno que afeta a existência, a segurança e o bem-estar da República, e representa um risco claro e imediato”, concluiu Sirleaf, que apresentará sua decisão ao Parlamento nesta quinta-feira.

O mais recente boletim da OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre todo o oeste da África, divulgado nesta quarta-feira, aponta 932 mortos desde o começo do ano, com 1.711 casos confirmados de Ebola, sobretudo na Guiné (363), Libéria (282) e Serra Leoa (286).

Em Monróvia, capital da Libéria, muitos mortos foram deixados insepultos nas ruas, ou abandonados em suas casas.

O último boletim sobre a Libéria é particularmente preocupante: 48 dos 108 novos casos de Ebola, com 27 entre os 45 óbitos recentes.

Padre espanhol permanece em estado estável em Madri 

O primeiro europeu infectado com o vírus Ebola que matou mais de 932 pessoas na África Ocidental, o padre espanhol Miguel Pajares, estava em estado estável em um hospital em Madri nesta quinta-feira, após ter sido buscado na Libéria, disseram representantes do setor de saúde.

Pajares, de 75 anos, estava trabalhando para uma organização não governamental na Libéria e foi repatriado junto a sua colega Juliana Bohi, uma freira que não contraiu a doença.

Padre chegou a Madri dentro de uma bolha | Ignacio Gil-ABC/Reuters Padre chegou a Madri dentro de uma bolha | Ignacio Gil-ABC/Reuters

A Libéria declarou Estado de emergência por conta da crise do Ebola.

“Os pacientes chegaram bem, embora desorientados. Ambos agora estão em quarentena”, disse o representante de saúde de Madri Javier Rodriguez em uma coletiva de imprensa.

O avião médico que voou da Libéria trazendo Pajares e Juliana de volta à Espanha pousou em uma base militar de Madri pela manhã (horário local), e os dois pacientes foram escoltados pela polícia para o hospital Carlos 3º.

O hospital esvaziou todo o sexto andar para tratar os dois pacientes, de acordo com um sindicato do setor de saúde.

Altamente contagioso, o Ebola, que ainda não possui cura, mata mais da metade das pessoas que o contraem. Vítimas sofrem de febre, vômito, diarreia e hemorragia externa e interna.

Surto de Ebola atrai atenção a medicamentos experimentais

Com centenas de pacientes na África sofrendo os efeitos devastadores do Ebola, especialistas da área médica estão em busca de determinar quais medicamentos podem oferecer o melhor tratamento experimental, enquanto pesquisadores são pressionados por autoridades de governos a acelerarem seus trabalhos.

Três tratamentos mostraram resultados especialmente promissores em macacos, disseram os especialistas.

Um deles, produzido pela pequena empresa de biotecnologia da Califórnia Mapp Biopharmaceutical, ganhou atenção internacional nesta semana, quando foi aplicado a dois trabalhadores humanitários dos EUA que contraíram Ebola na África Ocidental, e desde então mostraram sinais de melhora.

Outros são da Tekmira Pharmaceuticals, de Vancouver, e da Profectus BioSciences, de Tarrytown, no Estado norte-americano de Nova York.

Na quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que discutirá na semana que vem a ética de utilizar medicamentos para Ebola que nunca foram liberados para uso humano, em um sinal de receio frente à longa história de drogas utilizadas em pessoas que nunca foram informadas dos riscos.

Nos países mais afetados pelo Ebola, a suspeita em relação a trabalhadores médicos estrangeiros já é bastante difundida.

Mas o ministro da Saúde da Nigéria, Onyenbuchi Chukwu, disse a repórteres nesta semana que havia pedido a representantes de saúde dos EUA acesso a terapias experimentais contra o Ebola.

Farmacêuticas norte-americanas estão respondendo às questões de autoridades do governo sobre sua capacidade de fornecer tratamentos em quantidade suficiente caso essa solicitação seja feita.

“Durante anos, dissemos ao governo que é preciso investir um pouco mais nisso”, disse o cientista-chefe da Profectus, John Eldridge. “E agora falam, ‘Oh, meu Deus, quão rápido conseguem fazer isso?’”

Representantes da Mapp e da Tekmira não comentaram os esforços para disponibilizar seus tratamentos em resposta ao surto do Ebola.

Em coletiva de imprensa na quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse não ter informação suficiente para aprovar a droga da Mapp para tratar o vírus do Ebola, e que a reposta inicial deve se focar em medidas de saúde pública para conter o surto.

“Temos que deixar a ciência nos guiar, e eu não acho que temos toda a informação sobre se esta droga vai ajudar”, disse o presidente, acrescentando que autoridades de saúde, no curso de conter o atual surto, pode avaliar se novas drogas ou tratamentos podem ser eficazes.

Nenhuma droga ou vacina para Ebola já entrou em testes humanos intermediários, e tampouco foram aprovadas. O maior avanço foram serem testadas em macacos e poucos humanos.

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