Sonda espacial Rosetta vasculha segredos de cometa Churi

Por Tercio Braga
Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko visto pela sonda Roseta | Handout/Getty Images Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko visto pela sonda Rosetta | Handout/Getty Images

A sonda espacial europeia Rosetta, que depois de dez anos de navegação no espaço mantém intactas todas as suas capacidades, enfim chegou nesta quarta-feira ao encontro aguardado com o cometa Churyumov-Guerasimenko, Churi para os íntimos.

Trata-se da primeira sonda espacial que acompanha um cometa em seu périplo em volta do sol e tentará pousar um robô em sua superfície.

O nome Rosetta é herdado da pedra de Rosetta, que permitiu ao arqueólogo Champollion decifrar os hieróglifos egípcios no começo do século XIX. Philae, nome do robô que pousará em sua superfície, provém do obelisco sobre o qual se encontrava a inscrição que permitiu decifrar a pedra de Rosetta. Quanto ao cometa Churyumov-Guerasimenko, ele leva o nome dos astrônomos soviéticos que o descobriram em 1969.

Rosetta tem 32 metros de envergadura de um extremo a outro de seus dois imensos painéis solares (14 metros de comprimento cada). Isto corresponde a 125 vezes o tamanho de seu objetivo, o cometa de 4 km. Do tamanho de uma geladeira e seu passageiro Philae é repleto de instrumentos científicos pesa uma centena de quilos.

A missão Rosetta foi aprovada pela Agência Espacial Europeia (ESA) em novembro de 1993. Inicialmente, a sonda deveria se encontrar com outro cometa, Wirtanen. No entanto, o lançamento, previsto para 2003, foi adiado para 2004 e foi preciso encontrar um novo objetivo que satisfizesse os requisitos técnicos e científicos.

Rosetta sobrevoou três vezes a Terra e uma vez Marte para se beneficiar de um empurrãozinho gravitacional, que lhe permitiu chegar ao seu destino sem um gasto excessivo de combustível.

Com mais de 6 bilhões de km de percurso percorrido, a sonda já sobrevoou dois asteroides que cruzaram o seu caminho – Steins e Lutetia -, que conseguiu fotografar.

Todos os sistemas embarcados a bordo de Rosetta são alimentados pelos dois painéis solares otimizados para condições de luminosidade e temperatura extremamente frágeis, segundo a Airbus Defence and Space, que desenvolveu a sonda.

A mesma foi posta em hibernação durante dois anos e meio, quando estava longe demais do sol para poder alimentar com energia todos os seus equipamentos.

Periodicamente são enviadas da Terra instruções para ajustar a trajetória da sonda, equipada com uma antena de dos metros orientada para a Terra. As ondas de rádio viajam na velocidade da luz, mas um comando demora atualmente 25 minutos para chegar à sonda.

No momento de seu despertar, quando estava muito mais longe do nosso planeta, foram necessários 45 minutos para que o “olá!” da sonda chegasse à Terra.

Rosetta transporta 11 instrumentos científicos (câmeras e espectrômetros, analisadores de poeira e partículas) que lhe permitirão estudar o núcleo do cometa, os gases e as poeiras desprendidas (que formam sua cabeleira), quando se aproximar do sol.

A sonda acompanhará o cometa a maior quantidade de tempo possível. O cometa passará o mais perto do sol em 13 de agosto de 2015.

A aterrissagem de Philae sobre o núcleo do cometa está previsto para 11 de novembro. Será a primeira operação deste tipo nunca tentada sobre um cometa. Philae leva em seu interior uma dezena de instrumentos que farão medições na superfície.

Segundo os cientistas, pousar sobre um cometa de 4 km de largura a 500 milhões de km da Terra representa a mesma façanha que pousar em um ponto preciso de uma moeda de um centavo de euro colocada em Berlim para alguém que está em Paris.

Quando estiver firmemente preso ao núcleo, graças ao seu arpão e a três pernas, Philae terá uma expectativa de vida de 4 a 6 semanas, antes de sucumbir a uma insolação por causa da intensidade do calor do sol.

O custo total da missão será de 1,3 milhão de euros, ou seja, o valor de três grandes aviões de passageiros Airbus 380. Cobre um período de trabalho de 20 anos, do início do projeto até o fim previsto da missão, em dezembro de 2015.

A sonda Rosetta tem sua própria conta no Twitter (@ESA_Rosetta), com cerca de 48.000 seguidores.


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