Rússia mobiliza tropas e Otan teme invasão da Ucrânia

Por Carolina Santos
Soldados ucranianos em veículo blindado perto da cidade de Nikishinom na região de Donetsk | Sergei Karpukhin/Reuters Soldados ucranianos em veículo blindado perto da cidade de Nikishinom na região de Donetsk | Sergei Karpukhin/Reuters

A Rússia posicionou cerca de 20 mil soldados prontos para combate na fronteira com a Ucrânia e pode usar o pretexto de uma missão humanitária para invadir, afirmou a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) nesta quarta-feira, seu alerta mais contundente até agora sobre um possível ataque terrestre de Moscou contra seu vizinho.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a maior reação econômica de seu país às sanções ocidentais, desencadeando uma guerra comercial do tipo ‘olho por olho’ ao ordenar que seu governo restrinja importações de alimentos de países que impuseram sanções à Rússia.

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Num momento de uma escalada nos combates, em que rebeldes vêm perdendo terreno, a Rússia anunciou exercícios militares nesta semana na região da fronteira.

“Não iremos supor o que a Rússia tem em mente, mas podemos ver o que faz no local – e isso preocupa muito. A Rússia posicionou cerca de 20 mil soldados prontos para o combate na fronteira leste da Ucrânia”, declarou a porta-voz da Otan, Oana Lungescu, em um comunicado por e-mail.

Moscou pode usar “o pretexto de uma missão humanitária ou de manutenção da paz para enviar tropas ao leste ucraniano”, disse ela.

Um militar da Otan, falando sob condição de anonimato, afirmou que a mobilização russa na divisa inclui tanques, infantaria, artilharia, sistemas de defesa aérea, tropas de logística, forças especiais e uma variedade de aeronaves.

Um porta-voz do Ministério da Defesa russo repudiou as acusações: “Estamos ouvindo isso há três meses já”.

Retaliação 

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções brandas à Rússia a princípio, mas as aprofundaram desde que um avião de passageiros malaio foi abatido no leste da Ucrânia no mês passado com um míssil supostamente fornecido pelos russos aos rebeldes. Moscou nega que tenha dado mísseis aos rebeldes.

Nesta quarta-feira, Putin ordenou que seu governo elabore uma lista de produtos de agricultura de países que aplicaram sanções a seu país e que sofrerão retaliação.

Como parte da determinação do presidente russo, o serviço de vigilância veterinária e fitossanitária da Rússia anunciou que vai embargar importações de carne de frango dos Estados Unidos. O país irá também banir importações de todos os produtos agrícolas dos EUA e de todas as frutas e vegetais da União Europeia, disse a agência russa RIA, citando o serviço veterinário.

A Rússia importou 43 bilhões de dólares em alimentos no ano passado, e é o maior comprador de frutas e vegetais europeus e grande comprador de carne, peixe e frango.

Ao menos 18 soldados ucranianos morrem em confronto com separatistas

Novos combates com rebeldes separatistas deixaram 18 soldados ucranianos mortos e 54 feridos, disse um porta-voz dos militares nesta quarta-feira.

O porta-voz, Andriy Lysenko, disse que as forças do governo entraram em confronto com separatistas 25 vezes em áreas do leste da Ucrânia próximas à fronteira russa nas 24 horas anteriores à manhã de quarta-feira, enquanto continuam a avançar contra as posições rebeldes.

As forças ucranianas foram novamente bombardeadas a partir do território russo, disse o porta-voz, enquanto guardas de fronteira próximos à cidade de Luhansk foram submetidos a quatro horas de ataques de morteiros e artilharia.

“Nas últimas 24 horas, 18 membros das Forças Armadas foram mortos em batalha e 54 ficaram feridos”, disse Lysenko a jornalistas, acrescentando que as vítimas participavam de diferentes incidentes no leste.

As tropas do governo têm combatido os rebeldes desde abril no leste da Ucrânia, em um conflito que o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos diz já ter custado a vida de mais de 1.100 pessoas, entre membros das forças do governo, rebeldes e civis.

As mortes recentes entre as forças do governo sugerem que as vítimas entre os militares de Kiev chegam a 400.

Moradores de Donetsk, principal centro industrial e agora maior reduto dos rebeldes, disseram que aviões ucranianos bombardearam a cidade durante a noite.

Uma moradora, que se identificou apenas pelo primeiro nome como Svetlana, disse: “Foi terrível. Foi o ataque mais forte até agora. As paredes do apartamento tremeram quando (o míssil) atingiu o mercado e a parada de ônibus ao lado.”

Lysenko, ao ser questionado sobre os relatos, negou que aviões ucranianos tenha conduzido ataques aéreos contra a cidade de cerca de 1 milhão de habitantes e disse que o único avião ucraniano próxima a Donetsk foi uma aeronave de comunicação em apoio às tropas em solo.

“As Forças Armadas ucranianas não bombardeiam as cidades de Donetsk e Luhansk ou qualquer outra localidade povoada semelhante”, disse ele.

 

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