Trégua é mantida pelo 2º dia em Gaza em meio a conversas de paz

Por Nadia
Tanques recuam para fronteira com a Faixa de Gaza | Baz Ratner/Reuters Tanques recuam para fronteira com a Faixa de Gaza | Baz Ratner/Reuters

O Exército israelense retirou completamente suas tropas da Faixa de Gaza nesta terça-feira, no começo de uma trégua de 72 horas com o grupo palestino Hamas patrocinada pelos EUA e pelo Egito. O dia terminou sem incidentes, de acordo com a imprensa local, em um sinal de que o conflito, que começou em 8 de julho, pode estar chegando ao fim.

Os dois lados trocaram acusações e declararam vitória. O porta-voz do Exército israelense Peter Lerner disse que o objetivo principal, a destruição de túneis usados pelo Hamas para se infiltrar em Israel, foi alcançado. Ele disse que soldados e tanques seriam “realocados em posições defensivas ao longo da fronteira”. Mas o porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri, disse que a ofensiva de Israel foi “100% fracassada”.

Nesta terça uma delegação israelense chegou ao Cairo para negociar um cessar-fogo permanente. Palestinos entregaram um documento com reivindicações, como o fim do bloqueio a Gaza.

Crianças

Mais de 400 crianças morreram em consequência dos ataques de Israel contra a Faixa de Gaza e muitas delas estão traumatizadas e encaram um futuro “extraordinariamente sombrio”, disse a principal autoridade do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Pernille Ironside, chefe do escritório de campanha da entidade, disse que reconstruir as vidas das crianças será parte de um esforço muito maior para reerguer o território. “Como se espera que familiares cuidem de suas crianças e as criem de forma positiva e saudável quando eles mesmos mal funcionam como humanos? As pessoas perderam ramos inteiros de suas famílias em um golpe.”

Até segunda-feira, segundo o Unicef, 408 crianças palestinas foram relatadas como mortas, 31% das baixas civis. Mais de 70% dos 251 meninos e 157 meninas mortos tinham 12 anos ou menos.

ONG publica nome de crianças mortas 

Os principais jornais britânicos publicaram, nesta quarta-feira, os nomes e as idades de 373 crianças que morreram na intervenção israelense em Gaza, em uma página inteira de publicidade comprada pela ONG Save The Children.

Com o título “Em memória das 373 crianças mortas em Gaza”, em referência ao número divulgado pela ONU de crianças mortas entre 8 de julho e 3 de agosto, a página de publicidade paga pela ONG foi publicada nos jornais Guardian, Times, Daily Telegraph e Independent.

“Ver o número de crianças, algumas delas com apenas alguns meses, escrito em branco sobre um fundo preto, nos aproxima da tragédia que abalou as crianças de Gaza”, afirmou Justin Forsyth, presidente da Save The Children. “A morte de uma criança já é muito, a de 373 é uma atrocidade que mancha a consciência do mundo”, completou.

“Ajude-nos a garantir que sejam as últimas”, escreve a ONG embaixo da lista dos nomes.

O anúncio também pede um “cessar-fogo permanente”.

De acordo com o balanço mais recente do ministério palestino da Saúde, a ofensiva israelense deixou 1.875 mortos, incluindo 430 crianças e adolescentes e 243 mulheres. No lado israelense morreram 64 soldados e três civis.

 

Palestinos em meio a destroços em Beit Hanoun | Suhaib Salem/Reuters Palestinos em meio a destroços em Beit Hanoun | Suhaib Salem/Reuters

Autoridade Palestina denuncia ‘crime de guerra’

O ministro palestino de Exterior, Riad al-Malki, disse, após uma reunião com promotores do TPI (Tribunal Penal Internacional), que há “clara evidência” de que Israel cometeu crimes de guerra na Faixa de Gaza. “Nos últimos 28 dias, há clara evidência de crimes de guerra cometidos por Israel, que equivalem a crimes contra a humanidade.”

Segundo ele, o governo está comprometido com esforços de tornar a AP (Autoridade Palestina) membro da corte, passo que daria ao TPI jurisdição sobre denúncias de crimes de guerra na região.

Criado para processar indivíduos por crimes de guerra, o TPI pode intervir somente quando um país não demonstra disposição ou não tem capacidade para conduzir uma investigação própria.

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