Obama exige libertação de soldado israelense sequestrado

Por lyafichmann
Soldados israelenses próximos à Faixa da Gaza | Baz Ratner/Reuters Soldados israelenses próximos à Faixa da Gaza | Baz Ratner/Reuters

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira uma ajuda de US$ 225 milhões (equivalente a R$ 510 milhões) para Israel fortalecer a defesa áerea do país. O projeto – adotado por unanimidade pelos senadores – ainda precisa da aprovação da Câmara dos Deputados e da sanção do presidente Barack Obama. O dinheiro vai ser usado para reabastecer o chamado “Domo de Ferro”.

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O avançado sistema antimísseis de Israel conta com forte apoio técnico e financeiro dos Estados Unidos. Estima-se que o sistema foi capaz de interceptar 90% dos mísseis lançados contra Israel a partir da Faixa de Gaza, nas últimas três semanas de violência.

Obama cobrou Israel e Hamas após fim da trégua antes do previsto | Larry Downing Obama cobrou Israel e Hamas após fim da trégua antes do previsto | Larry Downing

Obama pede libertação de israelense
O presidente dos EUA, Barack Obama, exigiu nesta sexta-feira a libertação, “o mais rápido possível e sem condições”, do subtenente israelense Hadar Goldin, de 23 anos, supostamente sequestrado em Gaza pelo Hamas, considerando ser muito difícil um novo cessar-fogo sem o engajamento do grupo palestino.

Obama também cobrou mais esforços para a proteção dos civis no território palestino, aprisionados em meio aos combates, durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca.

“Nós condenamos inequivocamente o Hamas e as facções palestinas, que são responsáveis pela morte de dois soldados israelenses e do sequestrando de um terceiro poucos minutos após o anúncio de um cessar-fogo” de 72 horas, declarou Obama.

“Se eles são sérios em seu desejo de tentar encontrar uma solução para esta situação, este soldado deve ser libertado incondicionalmente o mais rápido possível”, disse o presidente americano, ressaltando “não ser particularmente importante saber se o Hamas ou qualquer outra facção foi responsável pelo sequestro”.

Além disso, segundo ele, o estabelecimento de uma nova trégua no conflito será “muito difícil (…) se os israelenses e a comunidade internacional não puderem ter confiança no fato de que o Hamas pode manter as suas promessas”.

Obama também disse querer “deixar claro que os civis inocentes de Gaza, aprisionados em meio aos combates, devem pesar sobre nossas consciências e que nós devemos fazer mais para protegê-los”.

Mais de 1.600 palestinos morreram desde o início, há 25 dias, da ofensiva israelense na Faixa de Gaza. Segundo a ONU, três quartos dos mortos eram civis, incluindo muitas crianças. Sessenta e três soldados e três civis foram mortos do lado israelense.

Trégua frustrada
A trégua de 72 horas entre Israel e o Hamas em Gaza durou poucas horas e se transformou em um novo banho de sangue, com mais de 60 palestinos mortos, enquanto dois soldados israelenses morreram. Na mesma operação teria acontecido o sequestro de Goldin. Páginas no Facebook pedindo a libertação do militar foram criadas nesta sexta-feira.

O governo de Israel não tardou em acusar o movimento islamita palestino e seus aliados de violação flagrante do cessar-fogo de três dias estabelecido entre Israel e o Hamas e que teoricamente entrou em vigor às 08h00 da manhã local (23h00 de quinta-feira em Brasília). O Hamas também atribuiu o rompimento da trégua ao Estado hebreu.

Os confrontos mataram 62 pessoas perto de Rafah, sul de Gaza.

Segundo as forças israelenses, “terroristas” atacaram os militares que destruíam um túnel do Hamas perto de Rafah, onde um palestino detonou explosivos que levava consigo. Dois soldados hebreus foram mortos.

Reação internacional
Os Estados Unidos acusaram o Hamas de cometer uma barbárie ao violar o cessar-fogo.

“Os israelenses indicaram nesta manhã que o cessar-fogo foi violado e que os militantes do Hamas utilizaram a trégua humanitária para atacar soldados israelenses e tomar um refém. Isso é uma violação bárbara do acordo de cessar-fogo”, declarou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, à cadeia CNN.

“Trata-se de uma ação escandalosa e pedimos ao resto do mundo que se una a nós para condená-la”, afirmou o assessor adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, Tony Blinken, à televisão MSNBC.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiu a libertação imediata do soldado sequestrado e indicou que, se for confirmado, o ataque contra militares israelenses constitui uma “grave violação do cessar-fogo”.

“A ONU não possui meios independentes para verificar exatamente o que aconteceu”, lembrou Ban. Apesar disso, “esses atos colocam em questão a credibilidade das garantias que o Hamas deu à ONU”, considerou.

O rei Abdullah da Arábia Saudita criticou o silêncio indesculpável do mundo diante dos crimes de guerra realizados por Israel em Gaza, em um discurso difundido pela agência oficial SPA.

“Vemos derramar o sangue de nossos irmãos da Palestina nas matanças coletivas que não poupam ninguém, e nos crimes de guerra contra a humanidade que acontecem à vista de toda a comunidade internacional, que permanece indiferente aos acontecimentos da região”, afirmou.

Capa da página do Facebook que pede a libertação de Goldin Capa de página do Facebook que pede a libertação de Goldin | Reprodução/Facebook

Linha vermelha
Para Israel, o sequestro de um soldado representa uma linha vermelha. O rapto em junho de 2006 do soldado israelense Gilad Shalit desencadeou operações militares que duraram cinco meses na Faixa de Gaza. Shalit foi libertado em outubro de 2011 em troca de mil prisioneiros palestinos.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o Hamas e outros grupos de terem violado de forma flagrante o cessar-fogo.

Para o porta-voz do Hamas em Gaza, Fawzi Barhum, “a ocupação (Israel) violou o cessar-fogo. A Resistência palestina agiu em nome de seu direito a se defender (e) para colocar fim ao massacre de nosso povo”.

Apesar do rompimento da trégua, o Egito indicou que vai manter as negociações previstas nesta sexta-feira no Cairo por um cessar-fogo duradouro.

População de Gaza desiludida
A trégua foi antecedida de duas horas de intensos bombardeios israelense e disparos de foguetes palestinos.

O conflito em Gaza desencadeia manifestações esporádicas de apoio nas grandes cidades da Cisjordânia ocupada, onde as forças israelenses mataram nesta sexta-feira um palestino perto de Nablus (norte).

A trégua havia sido estabelecida depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu um “cessar-fogo imediato e sem condições”.

Durante a reunião do Conselho, o chefe da Agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), Pierre Krähenbühl, disse que a população da Faixa de Gaza está no limite.

Segundo Krähenbühl, que não conseguiu conter as lágrimas durante suas declarações, as condições de vida nos abrigos lotados da ONU, que reúnem cerca de 220 mil pessoas, “são cada vez mais precárias”, gerando riscos de epidemias.

A diretora de Operações Humanitárias da ONU, Valerie Amos, lembrou “a obrigação absoluta” dos beligerantes de proteger ao máximo os civis e os trabalhadores humanitários. “A realidade em Gaza hoje é que nenhum lugar está seguro”, lamentou, lembrando que 103 instalações da ONU haviam sido alvo de ataques desde o início do conflito.

O bombardeio, na quarta-feira, de uma escola da UNRWA no campo de refugiados de Jabaliya (norte da Faixa de Gaza), uma das 83 escolas da ONU usadas para abrigar os civis que fogem dos combates, foi energicamente condenado pelas Nações Unidas e por diversas capitais, incluindo Washington.

Apesar da pressão internacional, Netanyahu alertou na quinta que o Exército “vai terminar o trabalho” visando à destruição da capacidade militar do Hamas na Faixa de Gaza.

 

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