Por falta de segurança, Brasil retira funcionários da embaixada da Líbia

Ao menos 138 pessoas morreram e 450 ficaram feridas nas últimas duas semanas em confrontos na Líbia | Hani Amara/Reuters Ao menos 138 pessoas morreram e 450 ficaram feridas nas últimas duas semanas em confrontos na Líbia | Hani Amara/Reuters

O governo brasileiro decidiu transferir temporariamente os servidores de nacionalidade brasileira da Embaixada do Brasil em Trípoli, Líbia, para Túnis, na Tunísia, devido à falta de segurança no país. Em nota, o Itamaraty informou que a medida, tomada pela “contínua deterioração das condições de segurança” não implicará no fechamento da representação diplomática naquela país.

De acordo com o documento, a representação brasileira continuará prestando assistência aos portadores de passaporte do Brasil residentes na Líbia.

Na quarta-feira, grupos islamitas tomaram o controle da principal base do Exército líbio em Benghazi, no Leste da Líbia, após combates que mataram dezenas de soldados, em meio à crescente onda de episódios violentos no país. Em um desses episódios, em Trípoli, uma enfermeira filipina foi sequestrada durante algumas horas e violentada por um grupo armado. As fontes médicas e dos serviços de segurança líbios que divulgaram o ocorrido informam também que os agressores não foram identificados.

O Ministério da Saúde líbio indicou, em comunicado, que o episódio deverá acelerar a decisão das autoridades filipinas de retirar cidadãos daquele território, incluindo 3 mil médicos e enfermeiras. A organização humanitária Crescente Vermelho, federada à Cruz Vermelha Internacional, informou ter retirado de uma base militar corpos de 35 soldados, afirmando que ainda há mais cadáveres no local.

Os confrontos registados nas últimas semanas no país são os mais violentos desde a queda do regime de Muammar Kadhafi, em 2011 e acontecem entre milícias armadas e o Exército líbio. Face ao clima de caos que enfrenta o país, o deputado Abu Bakr Biirao informou que o novo Parlamento líbio, eleito no dia 25 de junho, decidiu fazer uma reunião de urgência no sábado (2) em Tobrouk, no Leste da Líbia. Inicialmente, o novo Parlamento deveria assumir funções no próximo dia 4, em Benghazi. “Em virtude da situação perigosa no país decidimos ter uma reunião de urgência em Tobrouk, a cerca de 200 quilômetros a leste de Benghazi”, disse Biirao, que vai presidir a sessão inaugural.

Perante a escalada de violência, principalmente na capital, Trípoli, vários países ocidentais têm retirado seus cidadãos ou funcionários diplomáticos do território. Nas últimas 24 horas, cerca de 50 franceses e britânicos saíram do país em barcos. Ainda em Trípoli, os bombeiros continuavam hoje a combater, pelo quarto dia consecutivo, um violento incêndio num grande depósito de armazenamento de combustíveis. O incêndio foi provocado por foguetes disparados durante os confrontos entre milícias rivais.

 

Espanha esvazia temporariamente embaixada na Líbia

 

A Espanha anunciou nesta quinta-feira a evacuação temporária de seus funcionários da embaixada em Trípoli diante do agravamento da situação na capital e dois dias após 37 espanhóis e seus parentes solicitarem a ação.

A chancelaria afirmou que um funcionário de Arquivos garantiria o funcionamento da representação diplomática e reiterou “seu apelo a um cessar-fogo o mais rápido possível”.

Além disso, o governo espanhol “mostrou seu apoio ao novo Parlamento e seu compromisso de seguir trabalhando com seus sócios internacionais e com as Nações Unidas para conquistar a consolidação da democracia e a estabilização do país”.

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