G7 adverte Rússia sobre mais sanções na crise com a Ucrânia

Por fabiosaraiva
Putin se reuniu com o gabinete ontem para discutir sanções do ocidente | Alexei Nikolskyi/RIA Novosti/Kremlin/Reuters Putin se reuniu com o gabinete ontem para discutir sanções do ocidente | Alexei Nikolskyi/RIA Novosti/Kremlin/Reuters

Os líderes do G7 emitiram nesta quarta-feira uma declaração conjunta em que advertem a Rússia sobre sanções econômicas adicionais se Moscou não mudar o rumo de sua política no conflito que está ocorrendo no leste da Ucrânia entre forças do governo e separatistas.

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A declaração dos líderes dos sete países que formam o bloco (EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Grã-Bretanha) é um gesto de solidariedade entre os aliados. Eles expressaram “séria preocupação” com as ações russas que têm “minado a soberania, a integridade territorial e a independência da Ucrânia”.

“A Rússia ainda tem a oportunidade de escolher o caminho de diminuir a crise”, disse o comunicado, emitido um dia depois de a Europa e os EUA anunciarem uma nova rodada de sanções contra Moscou.

“Se não fizer isso, entretanto, continuamos prontos para intensificar ainda mais os custos de suas ações adversas”, diz, ainda, a nota.

O bloco também pediu um cessar-fogo duradouro entre o Exército ucraniano e os separatistas pró-russos.

 

‘Sanções míopes’
A Rússia classificou as novas sanções que sofreu como “destrutivas e míopes” e disse ontem que elas irão deteriorar os laços de Moscou com o Ocidente, que já estão em seu pior momento desde o fim da Guerra Fria em função da escalada do conflito no leste da Ucrânia.

Segundo Moscou, as sanções, as mais robustas até agora contra os bancos estatais e as empresas de energia russas, podem levar a um aumento nos preços da energia na Europa e afetar a cooperação da Rússia com os EUA em temas globais nos quais detém influência considerável.

“Tais decisões de Washington não fazem mais que agravar ainda mais as relações entre EUA e Rússia e criar um ambiente inteiramente desfavorável nos temas internacionais, nos quais a cooperação entre nossos Estados tem um papel decisivo”, declarou o Ministério das Relações Exteriores russo em uma nota. “As perdas reais causadas por esta política destrutiva e míope serão bastante palpáveis para os EUA”.

A chancelaria disse, ainda, que as sanções impostas pela União Europeia ao país vão “inevitavelmente” levar a preços mais altos da energia na Europa. “Ao partir para uma sequência de sanções, Bruxelas, por sua própria vontade, está criando barreiras para uma maior cooperação com a Rússia em uma esfera tão importante quanto à da energia. Isso é uma medida impensada e irresponsável. Vai inevitavelmente levar a um aumento dos preços no mercado europeu”, disse o ministério.

A Comissão Europeia publicou ontem os nomes de oito russos, incluindo alguns próximos do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e de três empresas que terão os bens congelados como parte das sanções.

 

As sanções da UE – Pessoas próximas a Putin e empresas são os alvos

• Arkady Rotenberg. Parceiro de longa data de judô de Putin, já está em uma lista de sanções dos EUA desde março.

• Yury Kovalchuk e Nikolai Shamalov. Os maiores acionistas do Rossiya, banco que cresceu rapidamente depois que Putin se tornou presidente

Banco Nacional Comercial da Rússia. Primeira instituição bancária a se instalar na Crimeia após a anexação

Almaz-Antey. Fabricante de armas antiaéreas

Dobrolyot. Empresa que opera voos entre Moscou e Simferopol, na Crimeia.

Ao todo, 95 pessoas e 23 organizações estão sancionadas

 

Bloco pede acesso a local de queda de avião malaio
No comunicado do G7, os líderes apelaram aos envolvidos no conflito para estabelecerem um cessar-fogo no local da queda do avião da Malásia que foi derrubado em 17 de julho no leste da Ucrânia, de forma a permitir o trabalho de investigação.

Ontem, peritos da Holanda disseram não terem sido capazes de chegar ao local do acidente, mais uma vez, em função de combates entre os separatistas e as forças de segurança de Kiev.

“Hoje o comboio com os peritos holandeses não vai viajar para o local da queda do (voo) MH17. As condições são muito inseguras no local”, disse o chefe da missão holandesa, Pieter Jaap Aalbersberg, em um comunicado.

A equipe tenta recuperar restos mortais de algumas vítimas e pertences de 195 cidadãos holandeses que estavam a bordo do avião. “Vamos continuar tentando chegar à área nos próximos dias, mas ainda é preciso ver quando as condições estarão mais seguras”, disse Aalbersberg. 

 

Pai de Fatima Dyczynski vasculha local da queda | Sergei Karpukhin/Reuters Pai de Fatima Dyczynski vasculha local da queda | Sergei Karpukhin/Reuters

Pais de passageira dizem crer que filha sobreviveu
Os pais de uma das passageiras do avião malaio abatido em 17 de junho sobre o leste da Ucrânia, a australiana Fatima Dyczynski, disseram que vão processar quem sugerir, sem mostrar evidências, que ela está morta. George e Angela Dyczynski seguem acreditando na versão de que Fatima não morreu na queda do avião.

De acordo com o jornal britânico “Daily Mail” eles foram os primeiros familiares de vítimas da queda a chegarem ao local dos destroços, em uma região de confrontos.

No local, eles não encontraram nada que os fizesse duvidar da possibilidade de que Fatima tenha, de alguma forma, sobrevivido.

Comunidade científica
Os pais de Fatima, uma engenheira aeroespacial de 25 anos, fizeram um apelo para que os colegas dela participem das investigações.

“Ela era uma cientista, uma pessoa jovem com ideias inovadoras e perspectivas”, disse o pai. “Queremos uma investigação científica com os dados já reunidos”.

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