Depois do Twitter, governo turco bloqueia acesso ao Youtube

Por Carolina Santos

O governo turco ordenou nesta quinta-feira o bloqueio do site YouTube, uma semana depois de ter feito a mesma coisa com o Twitter, após a difusão de nova gravações que questionam o regime e representam, segundo a chancelaria, uma declaração de guerra, informou a imprensa turca.

A decisão referente ao YouTube foi comunicada aos servidores de internet e as operadoras turcas, informou o jornal Hurriyet em seu site.

 

Áudio confidencial

 

A publicação do áudio de uma reunião confidencial em que as autoridades turcas discutem uma intervenção militar na Síria foi o gatilho desta decisão e constitui “uma clara declaração de guerra”, afirmou o ministro turco das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu.

“As escutas visando autoridades que ocupam funções-chaves no aparelho de Estado constituem claramente uma declaração de guerra ao Estado e à nação turca”, declarou Davutoglu à imprensa.

O ministro assegurou que a Turquia “responderá da maneira mais adequada” a este “ataque contra o futuro e a estabilidade” da Turquia, prometendo punir severamente os autores, que não foram nomeados.

Nesta gravação pirata, quatro líderes turcos, entre eles o próprio ministro das Relações Exteriores e o chefe do serviço secreto (MIT) Hakan Fidan falam sobre a hipótese de uma operação para justificar uma intervenção militar da Turquia na Síria.

Após a publicação desta gravação sonora, por instrução do governo turco, o acesso à plataforma YouTube foi interrompida, uma semana após o bloqueio do Twitter na Turquia que provocou muitas críticas no mundo inteiro.

Na véspera, no entanto, a justiça turca ordenou ao governo o fim do bloqueio do Twitter, motivo de uma enorme polêmica a poucos dias das eleições municipais de domingo, que parecem cada vez mais complicadas para o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.

Um tribunal administrativo de Ancara, ao qual a oposição parlamentar e várias organizações não governamentais apresentaram recursos, considerou que a medida imposta pelo governo é “contrária aos princípios do Estado de direito” e ordenou à Autoridade Turca de Telecomunicações TIB) o fim do bloqueio.

O governo anunciou que iria acatar a decisão judicial.

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