"A situação pode sair de controle", diz especialista sobre a Crimeia

Por Tercio Braga

A crise que toma conta da Ucrânia nos últimos meses acontece dentro de um país dividido entre a Rússia e a União Europeia. Ex-república soviética, a Ucrânia tem seu lado ocidental predominado pela língua ucraniana; e o leste de maioria influenciada pela Rússia. A Crimeia, localizada estrategicamente ao lado do mar Negro, é um Estado autônomo de maioria soviética. No último domingo, a população que vive na península decidiu, em referendo, se anexar à Rússia.

“A situação pode sair de controle. Toda essa região é composta por uma série de etnias que podem ter mobilizações e começar a reivindicar a sua autonomia. Vamos ver as relações da Rússia com isso”, analisa Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP.

Para o mestre e doutorando em Relações Internacionais e Desenvolvimento da Unesp, Vinícius Ruiz Albino de Freitas, a disputa na Crimeia é uma “questão geopolítica”, já que a península tem acesso ao Mar Negro. Segundo ele, a intenção da Rússia – que nunca aceitou a perda da Crimeia – seria expandir seu território e manter bases militares e rotas de comércio marítimo. “A Rússia se aproveitou da instabilidade da Ucrânia, dividida entre ucranianos e pró-russos desde o seu nascimento”, explica.

Crise na Ucrânia começou em novembro
O estopim da crise no país veio depois da decisão do presidente Viktor Yanukovich de desistir de assinar um acordo de associação negociado há anos com a União Europeia, em 21 de novembro de 2013, para se aproximar da Rússia, que ofereceu uma concessão de crédito de 15 bilhões de dólares e uma redução no preço do gás. Três dias depois, milhares de opositores foram às ruas em protesto contra o governo ucraniano.

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