Buscas por avião malaio chegam a território chinês

Por Nadia

A China iniciou operações de buscas do Boeing 777-200, da Malaysia Airlines – desaparecido em 8 de março – em seu próprio território, informou nesta terça-feira um responsável chinês. Pequim iniciou suas operações de busca nas regiões do país situadas “no corredor aéreo norte”, uma das trajetórias possíveis do aparelho, declarou o embaixador chinês na Malásia, Huang Huikang, citado pela agência estatal Xinhua.

Huang Huikang revelou ainda que uma investigação sobre os passageiros chineses do voo MH370, sumido há 10 dias, não revela qualquer elemento que relacione o grupo ao misterioso incidente. “Não encontramos qualquer prova ligando os passageiros chineses a um sequestrado ou atentado” contra o avião da Malaysia Airlines, que fazia a rota entre Kuala Lumpur e Pequim, disse o diplomata. Das 239 pessoas a bordo do Boeing, 153 são cidadãos chineses.

As investigações sobre o desaparecimento do voo MH370 se concentram na cabine dos pilotos e nas últimas palavras recebidas em terra, pronunciadas pelo copiloto, que coincidiram com o momento em que os principais sistemas de comunicação da aeronave foram deliberadamente desligados.

À 1h19 de sábado 8 de março (14H19 de sexta-feira no horário de Brasília), 38 minutos após a decolagem do Boeing 777 de Kuala Lumpur, o controle aéreo registrou a última comunicação oral a partir da cabine do piloto: “Tudo bem, boa noite”. Essas poucas palavras, pronunciadas de maneira descontraída em inglês (“All right, good night”), segundo as autoridades malaias, foram uma resposta aos controladores de voo, que anunciaram à tripulação que o avião se preparava para deixar o espaço aéreo malaio.

Piloto e copiloto podem estar envolvidos:

O sistema ACARS (Aircraft Communication Addressing e Reporting System), que permite a troca de informações entre a aeronave em voo e o centro operacional de uma companhia aérea, emitiu um último sinal à 1h07. Ele deveria voltar a emitir meia hora depois, à 1h37.

A desativação desse sistema é necessariamente realizada por um piloto ou uma pessoa com conhecimentos na área, de acordo com especialistas. O “transponder”, um outro dispositivo crucial, que envia informações sobre a posição da aeronave, foi deliberadamente desligado dois minutos após a mensagem atribuída ao copiloto.

O avião desapareceu dos radares civis à 1h30. Os dados coletados desde então permitem afirmar que o avião mudou de direção entre a Malásia e o Vietnã e continuou voando por quase sete horas.

Mistérios

O desaparecimento ainda gira em torno de muitos mistérios – desde o paradeiro dos destroços até o fim da comunicação do Boing 777 com controladores por meio do ACAR. Segundo o professor de transporte aéreo da USP (Universidade de São Paulo) Jorge Leal Medeiros, “o Acar transmite a comunicação com o avião independentemente de qualquer coisa”. “É claro que há omissão de informações. O governo da Malásia deve saber de algo que, por algum motivo, ainda não revelou”, afirma.

“De fato existe a possibilidade de omissão do governo, eles entraram em contradição diversas vezes. Isso demonstra falta de credibilidade, inclusive, com a China – dois terços dos passageiros eram de chineses”, diz o pesquisador de Relações Internacionais da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo), Paulo Watanabe.

Outros sistemas de rastreamento, de acordo com Medeiros, podem ser desligados de dentro do voo. “A comunicação também. Sob uma ameaça, por exemplo, quem vai falar?”. Ele lembra, contudo, que a caixa preta – embora essencial para descobrir o que aconteceu com o avião – não ajuda nesta comunicação. “A caixa preta realmente não ajuda nesta questão”.

Outros mistérios

O celular de um dos passageiros do voo da Malaysia Airlines teria tocado depois que a família tentou contato com o desaparecido. Um vídeo veiculado pela TV estatal chinesa mostra o momento em que a chamada é completada. Entretanto, a ligação cai logo em seguida, antes que o telefone seja atendido. Segundo o jornal “Singapore’s Strait Times”, a Malaysia Airlines também teria ligado para os celulares da tripulação, que tocaram, sem ninguém atender. Os números foram encaminhados para as autoridades chinesas.

Enquanto isso, o suposto encontro dos destroços do avião é noticiado. A China chegou a anunciar na quarta-feira que um de seus satélites detectou três “objetos flutuantes” de certo volume em uma zona marítima na qual poderia ter desaparecido o Boeing 777 da Malaysia Airlines.

A agência chinesa de ciência e tecnologia informou que o satélite já havia detectado os mesmos objetos na manhã do dia 9 de março, “em uma zona marítima onde o avião poderia ter caído”, acrescentando que analisa as imagens. Mais tarde, porém, as informações foram desmentidas.

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