Pesquisa dá 93% de aprovação a anexação da Crimeia à Rússia

Por george.ferreira
As urnas fecharam às 18h, no horário local (15h, no horário de Brasília) | Thomas Peter / Reuters As urnas fecharam às 18h, no horário local (15h, no horário de Brasília) | Thomas Peter / Reuters

Os habitantes na Crimeia decidiram neste domingo com 93% dos votos se tornar parte da Rússia, segundo pesquisas de boca-de-urna do Instituto de Pesquisa Política e Sociológica da República da Crimeia. O referendo foi considerado ilegal pelas novas autoridades da Ucrânia e pela maior parte da comunidade internacional.

O primeiro-ministro da Crimeia, Serguei Aksionov, saúda a decisão “histórica” de se separar da Ucrânia e se integrar à Rússia. “Obrigado a todos os que participaram do referendo e expressaram sua opção. Agora tomamos uma decisão muito importante que entrará para a história”, declarou Aksionov em sua conta no Twitter.
EUA e UE condenam referendo

Já a Casa Branca rejeitou os resultados do referendo e criticou as ações perigosas e desestabilizadoras de Moscou nesta crise. “Este referendo é contrário à Constituição da Ucrânia, e a comunidade internacional não reconhecerá os resultados desta votação realizada sob ameaças de violência e intimidação por parte da intervenção militar russa que viola as leis internacionais”, declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

“Os Estados Unidos têm apoiado firmemente a independência, a soberania e a integridade territorial da Ucrânia desde que ela declarou a sua independência, em 1991, e rejeitamos o ‘referendo’ realizado hoje (domingo) na região ucraniana da Crimeia”, completou Carney.

O porta-voz ressaltou ainda que a Rússia desdenhou dos apelos da Ucrânia e da comunidade internacional, aumentando sua intervenção militar na Crimeia e iniciando exercícios militares na fronteira oriental da Ucrânia. “As ações da Rússia são perigosas e desestabilizadoras”, declarou.

Horas antes da divulgação dos primeiros resultados, a União Europeia condenou oficialmente o referendo, classificando-o de “ilegal e ilegítimo”, e anunciou que serão decididas sanções na segunda-feira.

Histórico

A Crimeia foi historicamente parte da Rússia até que a União Soviética cedeu o território à Ucrânia em 1954, por decisão de Nikita Krushceov. Moscou, no entanto, manteve no porto de Sebastopol a base de sua frota no Mar Negro. A população em sua maioria fala russo e é favorável à anexação. As minorias ucraniana e tártara, que representam 37% da população, pediram o boicote do referendo.

Os eleitores deviam optar entre “a reunificação com a Rússia como membro da Federação Russa” ou o retorno do status de 1992, que nunca foi aplicado, que dá mais autonomia à região. A opção de manter o status atual dentro da Ucrânia não é uma das opções.

Após a destituição do presidente Viktor Yanukovytch em 22 de fevereiro e a posse em Kiev de um novo governo pró-Ocidente, civis armados pró-Moscou, com o apoio de militares russos, tomaram o controle da Crimeia.

 

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