Para especialista, autoridades podem estar omitindo dados sobre avião

Por Caio Cuccino Teixeira
Aviões de várias nações sobrevoam a área junto à costa do Vietnã em busca de sinais da aeronave desaparecida | Kham/Reuters Buscas por avião continuam | Kham/Reuters

O sumiço do avião na Ásia está para completar uma semana, em meio a muito mistério. Para o professor de transporte aéreo da USP (Universidade de São Paulo) Jorge Leal, as autoridades da Malásia podem estar omitindo informações.

Segundo ele, o modelo é equipado com um sistema que emite dados constantemente às torres de controle. O especialista foi entrevistado por Milton Parron no programa “Ciranda da Cidade”, da Rádio Bandeirantes.

Voo

O governo da Malásia negou, nesta quinta-feira, as informações de que o avião desaparecido desde sábado tenha voado durante quatro horas depois de desaparecer do radar e afirmou que as imagens de um satélite chinês, que provocaram esperanças, não mostravam destroços. “As informações estão erradas”, afirmou o ministro dos Transportes, Hishamudin Husein, aos jornalistas, ao comentar a notícia divulgada pelo periódico americano “Wall Street Journal”.

Husein acrescentou que a China afirmou ao governo da Malásia que as imagens de satélite foram divulgadas “por engano e não mostravam destroços”.

O governo malaio, criticado pela gestão da crise, enviou um avião para investigar a área apontada no Mar da China Meridional e se comprometeu a seguir todas as “pistas concretas”, mas a busca ainda não deu resultados.

Jornal

A informação de que o avião desaparecido havia voado durante quatro horas após o último contato foi obtida pelo “Wall Street Journal” com investigadores americanos, de acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira. A aeronave poderia ter viajado por centenas ou milhares de quilômetros depois do último contato com os controladores aéreos, o que aconteceu à 1h30 de sábado (14H30 de Brasília, sexta-feira), uma hora depois de ter decolado de Kuala Lumpur com destino a Pequim.

O controle aéreo teria perdido o contato com o avião, que transportava 239 pessoas, entre a costa oriental da Malásia e o sul do Vietnã. Os investigadores americanos, que pediram anonimato, baseiam a hipótese nos dados transmitidos automaticamente pelos motores Rolls Royce, que equipavam o Boeing desaparecido.

Assim, apesar da possibilidade do sistema de rádio ser intencionalmente cortado a bordo, esse sistema de transmissão automática poderia permitir revelar o mistério sobre o destino do avião. “As autoridades americanas de combate ao terrorismo exploram a pista segundo a qual um piloto ou alguém a bordo pode ter desviado [o avião] para um destino secreto, depois de cortar intencionalmente os equipamentos de transmissão”, afirma o “Wall Street Journal”, que cita um investigador que trabalha no caso. O avião poderia assim ter sido desviado ou sequestrado “com a intenção de ser utilizado mais tarde com outros objetivos”, acrescenta o jornal.

Ontem, China disse ter encontrado possíveis destroços:

A “New Scientist” também faz referência ao fato de que a Rolls Royce recebeu automaticamente duas séries de dados do voo MH370, na decolagem e na fase de elevação, em seu centro de vigilância em tempo real de motores, situado em Derby, na Grã-Bretanha.

As buscas cobrem atualmente 27 mil milhas náuticas (quase 90 mil quilômetros quadrados, o que praticamente equivale à superfície de Portugal). Doze países, incluindo Estados Unidos, China e Japão, participam nas operações, com 42 navios e 39 aviões, além do uso de satélites.

Sem pistas

Autoridades do Vietnã anunciaram, nesta quinta-feira, que seus aviões não encontraram eventuais destroços do avião malaio desaparecido, na região apontada por um satélite chinês por conter grandes “objetos flutuantes” que poderiam corresponder ao Boeing 777 da Malaysia Airlines. “Esta manhã, enviamos dois aviões AN-26 para inspecionar as zonas marítimas próximas da ilha de Con Dao, onde três objetos ‘suspeitos’ foram detectados por um satélite chinês. As aeronaves retornaram sem ter encontrado nada”, declarou Dinh Viet Thang, vice-diretor da Aviação Civil vietnamita.

A China anunciou que um de seus satélites de observação havia detectado três grandes “objetos flutuantes” em uma zona marítima na qual o Boeing poderia ter caído. As buscas pela aeronave entraram no sexto dia.

O Boeing 777, com 239 pessoas a bordo, de várias nacionalidades, a maioria chinesas, viajava entre Kuala Lumpur e Pequim quando desapareceu dos radares na madrugada de sábado (tarde de sexta-feira no horário de Brasília).

As buscas cobrem atualmente 27 mil milhas náuticas (quase 90.000 quilômetros quadrados, o que praticamente equivale à superfície de Portugal). Doze países, incluindo Estados Unidos, China e Japão, participam nas operações, com navios, aviões e satélites.

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