"Sei que sua alma está no céu", diz mãe de desaparecido em voo

Por Tercio Braga
Parentes aguardam por informações sobre os desaparecidos | Feng Li/Getty Images Parentes aguardam por informações sobre os desaparecidos | Feng Li/Getty Images

A mãe do único americano que estava no avião da Malaysia Airline desaparecido se diz conformada e não acredita mais que o filho será encontrado com vida. Na sexta, o avião, que transportava 239 pessoas, desapareceu enquanto fazia a viagem entre Kuala Lampur, na Malásia, e Pequim, na China.

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“É um situação muito difícil, sei que esse avião está em algum lugar do oceano, mas sei que sua alma está no céu”, disse Sondra Wood em entrevista exclusiva à BandNews FM. “Espero um dia encontrar meu filho no céu”.

Philip Wood, de 50 anos, trabalhava em Pequim, na IBM e estava terminando o processo de sua transferência para Kuala Lampur, de onde a aeronave partiu.

Segundo sua mãe, Wood estava na capital chinesa havia quase três anos e tinha visitado havia pouco tempo a família, que vive no subúrbio de Dallas, no Texas. Ele era o único americano no voo. Outras duas crianças tinham passaporte dos EUA, mas porque haviam nascido em território norte-americano – elas são descendentes de chineses.

Sondra conta que tem recebido apoio das autoridades americanas, que, pela embaixada do país na Malásia, recebeu a confirmação da presença de seu filho no avião. “Este é um acidente sem precedentes. Eu quero saber, assim como vocês também querem saber o que aconteceu, mas só o tempo dirá”.

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Investigações

O secretário-geral da Interpol, Ronald K. Noble, indicou nesta terça-feira que “a pista terrorista se afasta” na investigação sobre o desaparecimento no sábado de um avião da Malaysia Airlines com 239 pessoas a bordo. “Quanto mais informações temos, mais nos inclinamos a concluir que não se trata de um incidente terrorista”, declarou Noble.

Em relação à presença a bordo do avião de duas pessoas que viajavam com passaportes europeus falsos, “trata-se de um tráfico de seres humanos”, acrescentou. “Estamos cada vez mais certos de que estes indivíduos não são terroristas”, ressaltou. “Graças aos meios de comunicação, ficamos cientes de quem estava na lista de embarque e soubemos imediatamente que eram passaportes roubados”, disse.

Segundo Noble, os dois passageiros que viajavam com passaportes roubados, austríaco e italiano, são dois iranianos que voaram de Doha a Kuala Lumpur com seus passaportes iranianos. Não utilizaram os passaportes europeus até embarcarem na Malásia.

A Interpol divulgou dois nomes “que figuravam nos passaportes iranianos” sem a certeza de que correspondam aos dois passageiros. Eles são Puri Nur Mohamad, de 19 anos, e Delavar Seyed Mohamad Reza, de 30.

O secretário-geral também mostrou brevemente suas fotografias, mas não quis informar como ou onde foram tiradas. “Agora que conhecemos a identidade destas pessoas, sabemos que abandonaram Kuala Lumpur para ter um status de refugiado e podemos nos concentrar no grupo criminoso que lhes permitiu viajar”, disse.

A Malásia iniciou uma investigação por terrorismo após a descoberta de que dois passageiros embarcaram com passaportes roubados na Tailândia. A polícia tailandesa anunciou, por sua vez, uma investigação sobre um possível tráfico de passaportes.

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